Israel amplia controle no leste de Gaza e força famílias a deixar suas casas
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – Forças israelenses avançaram no leste da cidade de Gaza e deslocaram para oeste os marcos que delimitam seu controle militar, deixando casas dentro da área ocupada e levando dezenas de famílias a fugir.
Segundo a agência Prensa Latina, que cita relatos da mídia palestina, a operação ocorreu sob intenso fogo e incluiu a demolição de imóveis.
Fontes locais ouvidas pelos veículos palestinos relataram a entrada de veículos militares no bairro, com apoio de drones e disparos de armas de fogo e artilharia. Casas e tendas utilizadas por pessoas deslocadas foram atingidas, enquanto prédios e outras moradias nas proximidades foram demolidos pelas forças israelenses.
Fontes médicas informaram que duas pessoas feridas foram encaminhadas ao Hospital Batista Al-Ahli. O material divulgado não detalha o estado de saúde dos pacientes.
O deslocamento dos blocos de concreto que demarcam a chamada Linha Amarela foi relatado por moradores. Segundo esses testemunhos, as estruturas foram colocadas mais a oeste, diante de suas casas. Com a alteração, inúmeras moradias passaram a ficar dentro da nova zona de controle israelense, e dezenas de famílias buscaram abrigo nas áreas ocidentais da cidade.
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025, a Linha Amarela funciona como referência para separar as áreas mantidas sob controle de Israel daquelas onde os palestinos podem permanecer. A mudança descrita pelos moradores amplia, na prática, a presença militar sobre espaços anteriormente situados fora dessa delimitação.
De acordo com dados atribuídos pela reportagem a fontes militares israelenses, as forças do país controlam atualmente 63% da Faixa de Gaza e estabeleceram 40 novas posições militares. Após o início do cessar-fogo, Israel havia anunciado uma retirada para além da Linha Amarela, preservando o controle de aproximadamente 53% do território. Os percentuais citados indicam uma expansão de dez pontos percentuais.
O avanço ocorre enquanto permanecem paralisadas as negociações para a segunda fase do plano de paz dos Estados Unidos, que sustenta o acordo de cessar-fogo. Em 30 de setembro, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que seu governo não devolveria aos palestinos as áreas ocupadas pelas forças do país durante a guerra.
Segundo os números mais recentes do Ministério da Saúde de Gaza reproduzidos pela Prensa Latina, as violações do cessar-fogo provocaram a morte de 1.481 palestinos e deixaram outros 5.254 feridos desde a entrada em vigor do acordo.
O balanço acumulado desde o início da guerra, em outubro de 2023, supera 74 mil palestinos mortos e 175 mil feridos, conforme os dados citados na reportagem. Os levantamentos mencionados também apontam que cerca de 90% da infraestrutura da Faixa de Gaza foi danificada ou destruída.
Fonte: Brasil 247