Das redes ao Congresso: conheça Ana Elisa (PT), deputada federal mais votada em Minas Gerais
Por Redação — Brasil de Fato
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Aos 21 anos, Ana Elisa Santos Silva (PT), de Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, foi eleita deputada federal nas eleições deste domingo (4). Criadora de conteúdo nas redes sociais, onde reúne cerca de 2 milhões de seguidores, ela chega ao Congresso Nacional em fevereiro de 2027 com uma das maiores votações do estado.
Ana Elisa recebeu 524.216 votos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e terminou a disputa para a Câmara dos Deputados em segundo lugar em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). O desempenho estabeleceu marcas históricas: ela se tornou a mulher mais votada da história do estado para o cargo e a deputada federal mais jovem já eleita no país.
Ana Elisa é filha de uma mulher negra, professora e mãe solo. A família tem raízes em Oliveira, também no Centro-Oeste mineiro, e se mudou para Divinópolis em busca de oportunidades de trabalho e estudo.
A trajetória política da jovem começou antes da candidatura, mas longe dos espaços tradicionais da política institucional. Estudante de Direito, Ana Elisa trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) antes de entrar na disputa eleitoral.
As eleições de 2026 foram sua primeira disputa eleitoral. Segundo ela, o convite para concorrer a uma vaga na Câmara surgiu em março. Até então, sua principal atuação política acontecia nas redes sociais, onde construiu uma audiência de aproximadamente 2 milhões de pessoas.
Em entrevista concedida ao Brasil de Fato MG em abril, Ana Elisa contou que sua relação com a política começou ainda na infância, influenciada pela trajetória da mãe, professora da rede pública e sindicalista.
“Comecei a falar de política e a ser ativa politicamente desde sempre”, afirmou. Para ela, a experiência familiar mostrou desde cedo que a política ultrapassa os espaços institucionais.
A jovem relata que acompanhava a mãe em congressos e atividades sindicais dos professores estaduais. Segundo Ana Elisa, nesses encontros havia espaços destinados aos filhos dos participantes, o que permitiu que ela tivesse contato ainda criança com debates políticos e com a organização sindical. Ela também associa sua formação política à experiência da mãe como mulher negra e trabalhadora.
“Se política é resistência, tenho certeza de que tem o nome da minha mãe”, disse.
A experiência familiar também contribuiu para que Ana Elisa desenvolvesse uma visão de política ligada ao cotidiano. Em sua avaliação, questões como educação, alimentação, transporte e acesso a serviços públicos fazem parte da disputa política tanto quanto as decisões tomadas no Congresso.
Foi na internet, porém, que Ana Elisa encontrou seu principal espaço de atuação política. Seu conteúdo é marcado pela tentativa de traduzir temas jurídicos e políticos para uma linguagem direta, sem abrir mão da complexidade dos assuntos.
O primeiro vídeo que viralizou, segundo ela, explicava de maneira descontraída por que Jair Bolsonaro se tornaria réu. À época, ela já estudava Direito.
“As pessoas acham política chata porque não entendem. Quando não querem que você entenda algo, usam palavras difíceis”, afirmou.
A estratégia passou a orientar sua produção de conteúdo. Em vez de reproduzir o vocabulário técnico do Judiciário e do Congresso, Ana Elisa procura explicar conceitos para pessoas que não tiveram contato anterior com a política institucional.
“Meu objetivo é que a informação chegue e a pessoa entenda”, disse.
A atuação também busca alcançar públicos que tradicionalmente não acompanham o debate político. Na entrevista, ela citou como exemplo o próprio namorado, que, segundo ela, não teve oportunidade de estudar e inicialmente não entendia de política. A convivência com os conteúdos teria feito com que ele passasse a acompanhar e compreender temas políticos
Na campanha, Ana Elisa apresentou-se como representante de uma nova geração política, com forte vínculo com o interior de Minas Gerais e com pautas relacionadas à juventude e aos trabalhadores.
Entre suas propostas estão a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o fim da escala 6×1. Ela também defende a garantia de direitos trabalhistas e proteção previdenciária para trabalhadores de aplicativos.
Na educação, a deputada eleita propõe a destinação de recursos federais para universidades e institutos federais de Minas Gerais, a ampliação do programa Pé-de-Meia e a criação de um Fundo Nacional de Apoio ao Passe Livre Estudantil.
A atuação estudantil também aparece como parte de sua trajetória. Ana Elisa afirma ter participado de mobilizações pela permanência de estudantes nas universidades, ampliação de bolsas e defesa do passe livre.
Outra frente da plataforma é formada por propostas voltadas às mulheres e à igualdade racial. Entre elas estão o fortalecimento das Casas da Mulher Brasileira em Minas Gerais, a criação de linhas de crédito facilitadas para mulheres chefes de família e a defesa das cotas no serviço público.
Para o interior do estado, a deputada eleita defende a descentralização de recursos culturais e maior fiscalização da atividade mineradora, com proteção das bacias hidrográficas. Também propõe apoio à agricultura familiar.
Após a confirmação do resultado eleitoral, Ana Elisa voltou a destacar o papel das redes sociais na disputa política. Para ela, a esquerda precisa transformar a mobilização construída nas ruas em presença digital.
“Se a esquerda não dominar as redes sociais, nós vamos perder”, afirmou.
Segundo a deputada eleita, o resultado das eleições não deve ser interpretado como definitivo e a esquerda precisa disputar o ambiente digital de maneira permanente.
“O PT, o Lula, o Partido dos Trabalhadores, toda a esquerda, já levou o povo para a rua. Agora, é fazer a nossa mobilização nas redes sociais”, disse.
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Fonte: Brasil de Fato