Cooperativas movimentam R$ 36,9 bilhões em Goiás e buscam chegar a 1 milhão de associados
Por Bruna Ariadne — Jornal Opção

As cooperativas de Goiás faturaram R$ 36,9 bilhões em 2025, uma alta de 18,02% em relação ao ano anterior. Com 710.307 associados e 18.859 empregos diretos, o setor pretende alcançar R$ 50 bilhões em faturamento anual e 1 milhão de cooperados até 2027.
Para atingir as metas estabelecidas pelo Sistema OCB/GO, será necessário ampliar a movimentação anual em R$ 13,1 bilhões e incorporar quase 290 mil associados em relação à base de 2025.
As projeções coincidem com os 70 anos da organização formal do cooperativismo goiano, completados nesta sexta-feira (2). Os resultados do setor constam no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026 e se referem ao desempenho de 262 cooperativas em 2025. O cadastro de 2026, por sua vez, reúne 289 organizações com registros ativos.
Crescimento do faturamento supera avanço de associados
Entre 2024 e 2025, as cooperativas acrescentaram R$ 5,63 bilhões aos ingressos, indicador utilizado pelo levantamento como medida de faturamento. Os ativos chegaram a R$ 78,39 bilhões, com crescimento de 11,03%, equivalente a R$ 7,79 bilhões.
O número de cooperados avançou em ritmo menor: passou de 666.400 para 710.307, alta de 6,59% em um ano.
A expansão da base de associados fica mais evidente na comparação histórica. Em 2011, Goiás tinha aproximadamente 157,2 mil cooperados. O total chegou a cerca de 382,7 mil em 2021 e a 464.242 em 2022.
Segundo o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, o alcance direto e indireto do cooperativismo chega a aproximadamente 2,5 milhões de pessoas. Ele estima que o faturamento do setor corresponda a algo em torno de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
Na avaliação do dirigente, o modelo permite combinar operações de maior escala com participação dos associados nas decisões e na distribuição dos resultados.
“O que esses dados revelam é a consolidação de um modelo econômico capaz de combinar escala produtiva com distribuição de resultados, participação democrática e enraizamento regional”, afirma.
Entidade surgiu para representar cooperativas com dificuldades
A organização do movimento em Goiás começou em 2 de outubro de 1956. Naquela data, 14 fundadores se reuniram em uma sala de 12 metros quadrados no Edifício Rita de Albuquerque, na Rua 8, no Centro de Goiânia, para criar a União das Cooperativas do Estado de Goiás (UCEG), antecessora da OCB/GO.
Segundo os registros históricos da entidade, o Estado tinha aproximadamente 50 cooperativas naquele período. Muitas eram pequenas e enfrentavam dificuldades financeiras e de estrutura. A criação da UCEG buscava reunir essas organizações e dar representação ao setor.
Goiás ainda tinha uma economia predominantemente ligada às atividades primárias. A ocupação territorial e o crescimento populacional, impulsionados pela Marcha para o Oeste e, posteriormente, pela construção de Brasília, ampliaram a demanda por produção, comércio, crédito e aquisição de bens.
Não existe uma contagem consolidada dos cooperados de 1956. A estimativa de cerca de 5 mil associados foi calculada com base em uma média de 100 pessoas por cooperativa e deve ser distinguida dos dados registrados nos levantamentos atuais.
Expansão alcançou crédito, saúde e serviços
A própria entidade de representação enfrentou limitações nos primeiros anos. A UCEG tinha estrutura reduzida, dificuldade para receber contribuições das cooperativas filiadas e chegou a depender de recursos públicos.
Com a expansão do setor, a representação ganhou estrutura física e passou a investir na capacitação de dirigentes e trabalhadores. A criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo em Goiás (Sescoop/GO) integrou esse processo.
Ao longo das décadas, a atuação das cooperativas se diversificou e passou a abranger, além da agropecuária, atividades de crédito, saúde, transporte, trabalho, consumo e serviços.
Meta para 2027 depende de ampliar competitividade
O faturamento de R$ 50 bilhões e a base de 1 milhão de cooperados são objetivos para 2027, ainda não resultados alcançados. Para Luís Alberto, a expansão exigirá investimentos em inovação, digitalização e formação de lideranças.
“Setenta anos depois, o nosso desafio agora é ampliar nossa competitividade em mercados cada vez mais globalizados sem abrir mão dos princípios cooperativistas”, diz.
O dirigente também aponta a necessidade de manter transparência, participação dos associados e distribuição equilibrada dos resultados durante o crescimento.
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Fonte: Jornal Opção