Compêndio da Bíblia – 39. Jonas
Por Cilas Gontijo — Jornal Opção

*Por Emídio Brasileiro, Educador, Jurista e Cientista da Religião
O Livro de Jonas é o trigésimo nono livro da Bíblia e o quinto no grupo conhecido como Profetas Menores do Antigo Testamento. A expressão refere-se apenas ao tamanho dos livros. Atribuído ao profeta Jonas, filho de Amitai, a maioria dos especialistas situa sua escrita no século VIII a.C., época do reinado de Jeroboão II (786-746 a.C.). No entanto, segundo o consenso acadêmico, o livro provavelmente foi escrito bem mais tarde, entre 500 e 400 a.C. (período pós-exílio).
O livro possui quatro capítulos, com 21 versículos, e pode ser dividido em duas partes:
I – Jonas foge e é alcançado por Deus (caps. 1-2);
II – Jonas obedece, mas resiste no coração (caps. 3-4).
O Livro de Jonas é uma narrativa profética centrada mais na experiência pessoal do profeta do que em seus oráculos. Ele relata como Deus chamou Jonas, filho de Amitai, para uma missão difícil: ir à grande cidade de Nínive, capital do Império Assírio, e anunciar o arrependimento, pois a maldade de seus habitantes havia chegado até o Senhor.
Jonas, no entanto, temeu ou rejeitou essa missão — talvez por considerar os ninivitas inimigos cruéis de Israel — e fugiu na direção oposta. Ele embarcou em um navio rumo a Társis para escapar da presença de Deus. Durante a viagem, uma tempestade violenta ameaçou a embarcação. Os marinheiros, apavorados, oraram a seus deuses e lançaram sortes para descobrir o culpado. A sorte caiu sobre Jonas.
O profeta confessou que fugia de Deus e pediu que o lançassem ao mar para que a tempestade cessasse. Relutantes, os marinheiros o lançaram, e imediatamente o mar se acalmou, o que os levou a reconhecer o poder do Deus de Israel. No entanto, Jonas foi engolido por um grande peixe (ou cetáceo) preparado por Deus, no qual permaneceu três dias e três noites.
Dentro do ventre do peixe, Jonas orou fervorosamente, reconheceu sua desobediência e agradeceu a Deus por tê-lo livrado da morte. Ao final da oração, o Senhor ordenou que o peixe o vomitasse em terra firme, dando-lhe uma nova oportunidade.

Deus, então, repetiu o chamado: “Levanta-te e vai a Nínive”. Dessa vez, Jonas obedeceu. Ele entrou na cidade — descrita como imensa — e proclamou:
“Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída!”
Surpreendentemente, os ninivitas acreditaram na mensagem. Desde o rei até o mais humilde habitante, todos jejuaram, vestiram-se de pano de saco, clamaram a Deus e abandonaram seus maus caminhos. Diante desse arrependimento coletivo, Deus se compadeceu e suspendeu o castigo anunciado.
Jonas, porém, ficou profundamente contrariado com a misericórdia divina. Ele desejava ver a destruição da cidade inimiga e sentiu-se injustiçado pela compaixão de Deus. Retirou-se da cidade e sentou-se sob um abrigo para observar o que aconteceria.
Então, Deus fez crescer rapidamente uma planta (ou aboboreira), que ofereceu sombra e alívio ao profeta. No dia seguinte, porém, enviou um verme que destruiu a planta e, sob o sol escaldante, Jonas voltou a se irritar. Deus o advertiu com uma lição moral: se Jonas lamentou a perda de uma simples planta, como poderia Deus não ter compaixão de uma cidade inteira, com milhares de pessoas e animais?
Assim, o livro termina com uma mensagem universal de misericórdia e humanidade: o amor de Deus ultrapassa fronteiras e alcança todos os povos. Ele deseja o arrependimento e a regeneração, não a destruição. Também ensina que a misericórdia divina é maior que a justiça humana e que ninguém está fora do alcance do perdão de Deus. O verdadeiro profeta deve compreender não apenas a justiça, mas, sobretudo, o amor e a paciência divinos.
O Livro de Jonas é uma narrativa simbólica a respeito da resistência e do aprendizado espiritual diante das leis divinas. A fuga de Jonas representa a dificuldade do Espírito em aceitar suas responsabilidades e seus compromissos evolutivos, enquanto os acontecimentos que o conduzem de volta à missão refletem os mecanismos educativos da Lei de Justiça, Amor e Caridade, que orienta o ser ao reajuste. Ademais, a conversão de Nínive evidencia a misericórdia divina e a possibilidade de transformação moral, além de mostrar que nenhum destino está fixado de forma absoluta. O episódio ainda ensina que o progresso espiritual exige aceitação do dever, superação do orgulho e compreensão de que todos os Espíritos estão em processo de evolução, amparados pela justiça e pela bondade de Deus.
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Fonte: Jornal Opção