Com a Amazônia em chamas, Flávio Bolsonaro promete flexibilizar regras ambientais para produtor “fazer o que quiser”
Por Redação — Esquerda Diário

Em meio à escalada de queimadas na Amazônia, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) prometeu nesta segunda-feira (19), durante um ato de campanha em Marabá, no Pará, acabar com o que chamou de “entraves ambientais” e permitir que proprietários rurais explorem suas terras como quiserem. A escala de incêndios criminosos, sobretudo no estado do Amazonas, se deu logo após o primeiro turno das eleições, com Flávio a frente, incentivando grileiros e latifundiários avançarem na região.
A declaração ocorre no momento em que a Amazônia enfrenta uma nova onda de incêndios, com focos de calor que praticamente dobraram após o primeiro turno das eleições, saltando de 1.854 para 3.695 em uma semana, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem ambientais por causa de razões ideológicas a gente vai acabar”, afirmou o presidenciável.
Ele também prometeu realizar um amplo programa de regularização fundiária no estado para agradar os grileiros e latifundiários. Mas também para facilitar que a terra de pequenos proprietários de terra, camponeses e trabalhadores rurais assentados, estejam disponíveis para o mercado e sem qualquer assistência para mantê-la, como fez Jair Bolsonaro com seu programa Titula Brasil.
A promessa foi feita justamente no Pará, estado marcado por conflitos fundiários, invasões de terras indígenas e disputas envolvendo grileiros, garimpeiros, fazendeiros e comunidades tradicionais. A defesa da flexibilização ambiental remete à política de seu pai, Jair Bolsonaro, em cujo governo o desmatamento na Amazônia ultrapassou 10 mil quilômetros quadrados anualmente. Em 2020, o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou a defender que o governo aproveitasse a pandemia para “passar a boiada” e modificar as regras de proteção ambiental.
A fala de Flávio é um incentivo ao desmatamento, às queimadas, ao extrativismo desenfreado do agronegócio, das mineradoras e das petroleiras e alenta mais violenta contra as comunidades tradicionais. Já está claro que o seu projeto de colocar o país de joelhos pros EUA e entregar todas as riquezas também significa aprofundar a destruição ambiental, atacando o pouco que resta de fiscalização, para aumentar os lucros dos grandes proprietários e empresários rurais. Para enfrentar essa corja ecocída, entreguista, é preciso apostar na grande força social que se colocou nas ruas após o primeiro turno e arrancou o fim da escala 6×1.
Essa força é a que pode barrar os planos da extrema direita e do imperialismo, começando pela revogação de todas as forças de flexibilização ambiental que passaram nas últimas décadas, como a revisão do Código Florestal em 2012 e o mais recente PL da Devastação. É preciso garantir contratação de trabalhadores ambientalistas, assim como lutar pela nacionalização do solo sob controle dos trabalhadores e das comunidades tradicionais, para que nossas florestas, rios, terras raras, petróleo e outras riquezas sejam de fato nossos. Assim como reforma agrária radical, que exproprie os grandes latifúndios, combinado à expropriação das grandes indústrias e setor logístico do agronegócio.
Fonte: Esquerda Diário