Desespero: Nunes coage servidores municipais de SP para campanha de Flávio Bolsonaro

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Por Abayomi Abebe — Esquerda Diário

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A Folha de São Paulo divulgou hoje (19/10) uma denúncia a partir de um vídeo gravado por servidores municipais da capital paulista, onde o prefeito Ricardo Nunes coage os servidores a fazerem campanha pelo candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

No vídeo, Nunes aparece dizendo que os servidores deveriam ir aos atos, colar adesivos nos carros, fazer campanha nas redes e conversar com as pessoas para que Flávio Bolsonaro ganhasse. Além do vídeo, servidores relataram à Folha ameaças de punições ou mesmo de exoneração em caso de descumprimento. Para o ato de ontem (18) na Paulista, secretários do governo e presidentes de estatais estavam distribuídos pela avenida com listas de presença para garantir a ida dos servidores. Além das punições para quem não fosse, também foram prometidas recompensas para quem fosse, como folgas.

Entre assessores do Ricardo Nunes, havia a preocupação de fazer um ato maior que o último na Paulista de apoiadores de Lula e contra a extrema direita, o que mostra como a população estar mobilizada pelas ruas é o que provoca medo na extrema direita, fazendo com que se vejam obrigados a lançar mão ilegalmente do aparato estatal para tentar demonstrar força. Desde os resultados do primeiro turno, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas para responder ao ascenso da extrema direita no Senado e no Congresso Nacional. Nas principais capitais e cidades do país, e mesmo em cidades de médio e pequeno porte, as pessoas saíram às ruas contra a escala 6×1, contra a ingerência de Trump na política brasileira, contra os ataques da extrema direita às minorias e contra os planos privatistas representados no projeto econômico de Flávio Bolsonaro, que diz seguir o exemplo de Milei, que só reservou miséria à população argentina e entreguismo ao imperialismo.

Foi essa resposta que conseguiu impor a conquista do fim da escala 6×1, mesmo com a extrema direita e os empresários sendo contra até o último instante e agora partindo para pensar planos para contornar ou revogar essa medida. É o medo de uma resposta ainda mais aguda que faz o Trump medir tanto os próprios movimentos, evitando apoiar e intervir mais incisiva, aberta e diretamente o seu cachorrinho Flávio Bolsonaro. E é essa resposta nas ruas que faz com que a extrema direita tenha que recorrer a crimes eleitorais dignos do coronelismo para tentar inflar suas próprias forças e transparecer plenitude frente à força social que vem se expressando nas ruas e que sabem que pode derrotá-los.

Mesmo que os atos ainda se mantenham nesse momento muito atrelados à campanha eleitoral, com forte expressão de apoio ao Lula, eles demonstram quais os métodos que podem impor medo, recuos e derrotas à extrema direita. A classe trabalhadora junto a setores oprimidos nas ruas é o pior pesadelo dessas figuras asquerosas. Hoje, mundialmente, a juventude tem saído às ruas contra medidas de austeridade, que só levam à privatização e precarização da vida, o que se aprofunda nos países periféricos num sentido de entrega ao imperialismo. As juventudes francesa, albanesa, do estado espanhol, argentina, estadunidense, chilena e tunisiana vêm se levantando em diversos níveis e têm gerado estrondos significativos, contando inclusive com o apoio de camadas da classe trabalhadora.

Já são quase duas décadas desde a abertura da última crise do capitalismo, que veio forçando cada vez mais medidas de degradação da qualidade de vida das massas para se manter as taxas de lucro dos burgueses. No Brasil, vemos essas medidas se aprofundando cada vez mais desde o golpe institucional de 2016, e agora as massas vão retomando as ruas e podem abrir um novo momento político no país, que questione todo o legado do golpe. Essa visão gera calafrios na extrema direita, e por isso é importantíssimo seguirmos mobilizando para muito além das eleições, em defesa do fim da escala 6×1 para toda a classe trabalhadora brasileira, avançando contra a reforma trabalhista, da previdência e todo o legado econômico do golpe que a extrema direita de Nunes esperneia para manter.

Fonte: Esquerda Diário

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