WEG (WEGE3) cai mais de 7% com balanço pressionado por dólar e tarifas; exagero ou sinal de alerta?

0

Por Lorena Matos — Seu Dinheiro

weg-wege3-acoes-balanco-2t25.jpg

A receita cresceu e o lucro se manteve estável. Ainda assim, a WEG (WEGE3) está entre os destaques negativos do Ibovespa (IBOV) nesta quarta-feira (21), com o mercado digerindo um balanço pressionado principalmente pelo dólar e pelas tarifas dos Estados Unidos.

A fabricante de motores elétricos e equipamentos de geração de energia reportou nesta manhã lucro líquido de R$ 1,66 bilhão referente ao terceiro trimestre de 2026 (3T26), um avanço de 0,9% ante o mesmo período no ano anterior.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 2,34 bilhões, uma alta de 3,1% na comparação anual. Já a margem Ebitda encolheu 0,6 ponto percentual (p.p.), para 21,6%.

Os números vieram abaixo do consenso da LSEG, que projetava lucro líquido de R$ 1,71 bilhão e Ebitda de R$ 2,40 bilhões.

A receita operacional líquida da companhia totalizou R$ 10,8 bilhões no trimestre, um incremento de 5,7% na comparação com o terceiro trimestre de 2025.

Os investidores já acompanhavam com cautela os efeitos da alta nos preços de matérias-primas, como cobre, aço e alumínio, além da valorização do real frente ao dólar e dos impactos das tarifas comerciais dos Estados Unidos, que seguem pressionando a rentabilidade da companhia.

Em reação aos números, na mínima do dia, as ações caíam mais de 7%, cotadas a R$ 45,25, por volta de 14h (horário de Brasília). Entre analistas, no entanto, a visão não é de um balanço expressivamente negativo, mas neutro.

Reação exagerada?

O resultado ficou ligeiramente abaixo das estimativas do Citi. Embora a receita líquida tenha alcançado R$ 10,9 bilhões e superado marginalmente a projeção do banco, tanto o Ebitda quanto o lucro líquido vieram cerca de 1% abaixo do esperado.

O destaque positivo ficou com a divisão de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD). O segmento apresentou mais um trimestre robusto, impulsionado principalmente pela forte demanda por transformadores e geradores na América do Norte, compensando a fraqueza persistente no mercado de geração solar distribuída.

Já a divisão de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) teve desempenho abaixo das projeções. O Citi atribui o resultado à desaceleração da demanda por produtos de ciclo curto no Brasil e aos efeitos desfavoráveis da variação cambial.

Ainda assim, a instituição destaca que mercados ligados a óleo e gás, mineração, refrigeração e data centers continuam mostrando demanda saudável.

Nas margens, o banco vê impactos do aumento dos custos do cobre e das tarifas de importação dos Estados Unidos. Apesar disso, avalia que a rentabilidade permaneceu resiliente.

Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, pondera que, no caso de uma companhia que negocia com múltiplos tão elevados quanto a WEG, qualquer decepção do mercado pode acabar pesando um pouco a mão no desempenho das ações.

Segundo ele, uma das preocupações atuais do mercado em relação à companhia é a questão fiscal. Considerando um cenário de ajuste fiscal em 2027, a tendência é que o dólar caia.

Apesar da elevada participação das exportações, para ele, a melhora fiscal deve impulsionar as indústrias locais, o que seria positivo para a companhia.

O que esperar no curto prazo

No curto prazo, a XP Investimentos vê o cenário macroeconômico com peso maior sobre o desempenho das ações do que os próprios resultados operacionais.

Na leitura dos analistas, a WEG pode continuar ficando atrás de empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico em um ambiente favorável para a bolsa brasileira.

A casa destaca que o lucro líquido veio 3% acima de suas projeções, enquanto a margem Ebitda ficou praticamente em linha com o esperado.

Os impactos negativos da alta do cobre, das tarifas americanas e das maiores despesas administrativas foram compensados por um mix de produtos mais favorável e por ganhos de eficiência considerados estruturais.

Para os próximos anos, a casa segue otimista com a demanda dos segmentos de ciclo longo, especialmente em equipamentos industriais e transmissão e distribuição de energia.

QUER INVESTIR MELHOR?

Comece o dia descobrindo o que move o mercado financeiro e os seus investimentos, de forma 100% gratuita!

Telefone

VEJA AQUI

Outros destaques do 3T26

No caso da receita operacional líquida, que totalizou R$ 10,8 bilhões no trimestre, o mercado interno foi responsável por R$ 4,07 bilhões, alta de 1,8% na comparação anual. Já o mercado externo registrou R$ 6,78 bilhões, um avanço de 8,3%.

Segundo a WEG, o crescimento da receita e a manutenção de margens operacionais saudáveis tiveram impulso do bom desempenho dos negócios no mercado externo, sustentado pela boa demanda por produtos e serviços nos principais segmentos de atuação, apesar do impacto da valorização do real no período.

As atividades operacionais apresentaram geração de caixa de R$ 3,872 bilhões até setembro de 2026, resultado da continuidade das boas margens operacionais e bons indicadores de capital de giro operacional no período.

No terceiro trimestre houve investimento de R$ 905,4 milhões em modernização e expansão de capacidade produtiva, máquinas e equipamentos e licenças de uso de softwares, sendo 39,8% destinados às unidades produtivas no Brasil e 60,2% destinados aos parques industriais e demais instalações no exterior.

The post WEG (WEGE3) cai mais de 7% com balanço pressionado por dólar e tarifas; exagero ou sinal de alerta? appeared first on Seu Dinheiro.

Fonte: Seu Dinheiro

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *