Clayton Barros, do Cordel do Fogo Encantado, estreia na carreira solo celebrando as raízes do sertão
Por Augusto Diniz — Carta Capital
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Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
O artista enaltece suas origens no disco ‘Primitivo Atemporal’, repleto de referências sertanejas e atuais
Nascido em Arcoverde, no sertão pernambucano, Clayton Barros começou a tocar em bares aos 16 anos. Tempos depois, uniu-se a José Paes de Lira, o Lirinha, para fundar o emblemático Cordel do Fogo Encantado. Quase 30 anos após a criação do grupo, o cantor, compositor e violonista estreia em carreira solo com o álbum Primitivo Atemporal, uma obra profundamente enraizada em suas origens sertanejas. O disco, de dez faixas, conta com as participações especiais de BNegão, Flaira Ferro, Jéssica Caitano e do guitarrista Catatau.
“O Cordel do Fogo Encantado tem uma estrutura instrumental única, no formato de quatro percussionistas, um violão e cinco vozes. O meu trabalho solo traz inúmeras influências, que vêm desde as fanfarras da escola, onde toquei vários instrumentos de sopro e aprendi a marcar ritmo, passando pelos bares e boates onde cantava e tocava MPB, rock, bolero e instrumentais”, afirma o músico.
Ele relembra que, ao se mudar para São Paulo no início da adolescência, passou a consumir diferentes estilos musicais pelo rádio. “Quando volto para Arcoverde, conheço a cultura popular da cidade e o poeta Jorge Filó, que me apresentou ao meu parceiro Lirinha. Com ele, íamos visitar os grupos de samba de coco, bandas de pife, reisado, cantorias e o Mestre Lula Calixto.”
Para Clayton, o sertão sempre foi retratado de forma caricata e marginalizada. “Essa ideia distorcida da seca esteve, durante muito tempo, muito mais ligada à fé do que à explícita exploração política”, afirma. “Por isso, é preciso exaltar o sertão como um organismo vivo.”
Segundo o compositor, o novo disco parte de suas vivências individuais, incorporando instrumentos mais associados à música pop, como bateria, guitarra, sintetizadores e baixo.
“Tudo isso dentro de uma concepção centrada no sertão de Moxotó-Ipanema (onde está Arcoverde), com letras, melodias, violões e violas que representam a forma como enxergo a minha região, desde seu primitivismo e sua ancestralidade até os dias atuais”, explica.
A produção musical de Primitivo Atemporal ficou a cargo de Felipe Weinberg, que também participou dos arranjos, da mixagem e da masterização, além de toca bateria, percussão e synths no álbum.
“Ele é de uma geração posterior à minha e, naturalmente, trouxe ideias modernas, que dialogam bem com as minhas”, afirma Clayton, destacando que o produtor também é natural de Arcoverde. Mais do que um disco, Primitivo Atemporal convida o público a uma escuta atenta da confluência entre a tradição do sertão e a modernidade.
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Fonte: Carta Capital