China rebate críticas sobre direitos humanos

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – O representante permanente adjunto da China nas Nações Unidas, Sun Lei, rejeitou críticas de seis países à situação dos direitos humanos no território chinês e acusou seus governos de utilizar o tema para fins políticos. Segundo o Global Times, o diplomata respondeu às manifestações durante o debate geral da Terceira Comissão da Assembleia Geral da ONU e afirmou que esses países não têm autoridade para dar lições a Pequim.

Em comunicado divulgado pela Missão Permanente da China junto à ONU, Sun contestou declarações de Reino Unido, Austrália, Japão, Irlanda, República Tcheca e Lituânia. O representante classificou as acusações como infundadas e afirmou que os governos citados também enfrentam problemas graves relacionados aos direitos humanos.

O diplomata criticou a postura de países que, segundo ele, se apresentam como “professores de direitos humanos”, mas ignoram dificuldades internas. Sua resposta reuniu argumentos sobre combate à pobreza, participação política, proteção de grupos étnicos e atuação internacional.

Combate à pobreza e críticas ao Reino Unido e ao Japão

Sun apresentou o desenvolvimento econômico como um dos pilares da política chinesa de direitos humanos. Segundo o representante, a China retirou quase 100 milhões de pessoas da pobreza extrema e formou uma classe média com mais de 400 milhões de integrantes.

Na avaliação do diplomata, esses resultados demonstram a contribuição do desenvolvimento para a melhoria das condições de vida da população. Ele contrapôs os números chineses à situação do Reino Unido, onde, conforme os dados citados em sua intervenção, mais de 14 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, metade delas em pobreza extrema.

O representante também mencionou o Japão. De acordo com Sun, a taxa de pobreza relativa entre as famílias japonesas é de 15%, enquanto a pobreza infantil se tornou mais acentuada. Ao apresentar esses indicadores, afirmou que a China acompanha com preocupação a situação dos direitos humanos no país.

Hong Kong e confiança nas instituições

Na defesa do sistema político chinês, Sun afirmou que o país promove a participação popular e assegura à população um papel na condução dos assuntos nacionais. Segundo ele, o apoio e a satisfação com o governo permanecem acima de 90% há anos.

O diplomata também defendeu a legislação de segurança nacional de Hong Kong. Em sua avaliação, a lei representou uma mudança decisiva na região, ao restabelecer a ordem e criar condições para estabilidade e prosperidade. Sun sustentou ainda que a medida contribuiu para o desenvolvimento do sistema democrático local e recebeu amplo apoio da população.

Como contraponto, citou pesquisas segundo as quais cerca de 75% dos britânicos demonstram preocupação com o futuro da democracia. Afirmou também que a confiança nos governos da Austrália e da República Tcheca caiu a níveis historicamente baixos e que o apoio dos jovens à democracia diminuiu nesses países.

Direitos de grupos étnicos

Outro eixo da resposta foi a situação das minorias étnicas. Sun declarou que os diferentes grupos que compõem a população chinesa têm igualdade de direitos e afirmou que as garantias políticas, econômicas, culturais e religiosas são protegidas em Xinjiang e Xizang.

Segundo o representante, a Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnicos busca ampliar o desenvolvimento e a prosperidade entre os grupos que integram o país.

Ao abordar o Japão, Sun acusou o governo de não cumprir compromissos de combate à discriminação racial e de não assegurar tratamento igualitário aos povos Ainu e Ryukyu. Na avaliação apresentada pelo diplomata, essa situação ameaça as condições de sobrevivência e desenvolvimento dessas comunidades.

O representante também associou problemas de racismo e divisões étnicas no Reino Unido, na Austrália e na Irlanda a consequências duradouras do colonialismo.

Acusações de seletividade na atuação internacional

Na dimensão internacional, Sun acusou os governos criticados de adotar critérios seletivos na defesa dos direitos humanos. Segundo ele, países como Reino Unido, Austrália, Japão, República Tcheca e Lituânia recorrem a argumentos morais, mas permanecem indiferentes ao tratamento dispensado aos povos da Palestina, do Irã e de Cuba.

O diplomata afirmou que esses governos utilizam os direitos humanos como justificativa para interferir nos assuntos internos de outros países e impor medidas coercitivas unilaterais. Em sua avaliação, essas práticas prejudicam os interesses das nações em desenvolvimento.

Sun defendeu maior cooperação internacional diante das dificuldades enfrentadas pelo multilateralismo. Afirmou que a China continuará a seguir uma política de direitos humanos adaptada às suas condições nacionais e a participar de diálogos construtivos, mantendo sua oposição ao uso político do tema nas relações entre países.

Fonte: Brasil 247

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