Equador registra 430 assassinatos de crianças e adolescentes em 2026
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O Equador registrou 430 assassinatos de crianças e adolescentes entre janeiro e agosto de 2026, período em que o total de homicídios no país caiu 6,4%. A província de Guayas concentrou quase metade das mortes de menores de 18 anos, com 206 casos. Os dados foram divulgados pela Rádio Pichincha e reproduzidos pela teleSUR em reportagem publicada nesta segunda-feira (5).
O contraste entre a redução geral dos homicídios e o avanço da violência contra essa faixa etária evidencia uma mudança no quadro de segurança equatoriano. Segundo a reportagem, especialistas relacionam o aumento das mortes à exploração de crianças e adolescentes por organizações criminosas, que se aproveitam da vulnerabilidade social e econômica para recrutá-los.
Na chamada Zona 8, formada por Guayaquil, Durán e Samborondón, foram contabilizados 175 assassinatos de menores de 18 anos nos primeiros oito meses do ano. A região respondeu por cerca de 40% do total nacional e apresentou crescimento de 12% nas mortes dessa população, conforme os números apresentados pela publicação.
Os dados da Zona 8 integram o balanço de Guayas. A concentração dos crimes nessa área coloca os três municípios entre os principais focos da violência contra crianças e adolescentes no país.
Recrutamento pelo crime organizado
Fontes policiais e relatórios técnicos citados pela reportagem descrevem o emprego de menores de idade em atividades de vigilância, venda de drogas e assassinatos por encomenda. O recrutamento transforma crianças e adolescentes em executores de tarefas para as quadrilhas e amplia sua exposição à violência.
De acordo com essas fontes, os grupos criminosos também procuram explorar o tratamento jurídico diferenciado aplicado a menores de idade para dificultar a responsabilização dos adultos que comandam as operações. A participação de crianças e adolescentes nessas atividades aparece, assim, como parte da estrutura de funcionamento das organizações.
A reportagem associa esse processo às condições de vulnerabilidade enfrentadas por essa população. A exploração por quadrilhas ajuda a explicar por que a queda no número total de homicídios não se traduz, necessariamente, em maior proteção para os menores de 18 anos.
País teve recorde de homicídios em 2025
O balanço de 2026 sucede o ano mais violento da história do Equador. Em 2025, o país contabilizou 9.216 homicídios dolosos, um aumento de 32% em relação ao ano anterior. A taxa nacional chegou a 50,91 mortes por 100 mil habitantes.
A província de Los Ríos apresentou uma taxa de 130,4 homicídios por 100 mil habitantes naquele ano. No cantão de Puebloviejo, o indicador alcançou 360 por 100 mil, revelando a intensidade da violência em determinadas localidades.
Os jovens de 18 a 29 anos estiveram entre os mais atingidos em 2025, com 3.800 vítimas. Segundo a reportagem, predominaram os assassinatos cometidos com armas de fogo em espaços públicos.
Militarização e mudanças na atuação das quadrilhas
Em 2024, quando a taxa de homicídios foi de 38,80 por 100 mil habitantes, o governo equatoriano declarou a existência de um “conflito armado interno” e mobilizou as Forças Armadas para enfrentar as organizações criminosas.
Análises citadas em um relatório do Observatório Equatoriano do Crime Organizado indicam que a militarização e os estados de emergência contribuíram para conter os episódios mais extremos de violência e os massacres iniciais nas prisões. Os resultados, entretanto, foram limitados por mudanças na atuação das quadrilhas.
Os grupos ampliaram sua presença em atividades criminosas locais, como a extorsão e a cobrança por suposta proteção. Ao mesmo tempo, novos focos de violência surgiram em províncias costeiras e em áreas de mineração ilegal, mantendo a pressão sobre a segurança pública mesmo nos períodos de redução dos indicadores nacionais.
Fonte: Brasil 247