China e Rússia condenam lançamento de armas ao espaço anunciado por Washington
Por Hora do Povo — Hora do Povo
O anúncio por Washington da implantação de armas em órbita da Terra foi condenado por China e Rússia, que denunciam a militarização do espaço.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, instou os EUA a interromperem sua expansão militar no espaço e a manterem a estabilidade estratégica global.
“Instamos os EUA a interromper a expansão militar e os preparativos de guerra no espaço e a contribuir com ações concretas para a manutenção da estabilidade estratégica global”, disse ele durante uma coletiva de imprensa, comentando declarações do lado americano na segunda-feira (14) de que Washington já tem armas na órbita da Terra.
Guo acrescentou que a China se opõe à militarização do espaço, “à sua transformação em um campo de batalha e à corrida armamentista espacial”.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondendo a pergunta de jornalistas, reiterou que a Rússia considera que “o espaço deve estar livre de quaisquer armas”.
Ele acrescentou que a Rússia acredita haver uma ampla consolidação internacional “para continuar os esforços pela desmilitarização total do espaço”.
PRIMEIRA ADMISSÃO, DIZ POST
De acordo com o jornal Washington Post, foi a primeira vez que Washington admitiu a colocação de armas em órbita.
“A Força Espacial agora possui armas de controle espacial em órbita capazes de defender a força conjunta contra ações hostis adversárias”, disse o secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, durante a abertura da Conferência Ar, Espaço e Cibersegurança da academia da força.
No entanto, Meink recusou-se a discutir as capacidades em mais detalhes durante uma coletiva com repórteres após sua palestra principal — incluindo se os sistemas em questão são cinéticos ou não cinéticos.
Meink asseverou ainda que o anúncio foi devidamente pensado, com fins de “dissuasão”, mas para analistas expressa o intento de minorar a percepção de enfraquecimento da máquina bélica americana após o fiasco contra o Irã.
Como observou ao Global Times o especialista em assuntos militares chineses Song Zhongping, a admissão de Washington implica em que foi rebaixado o limiar para a militarização do espaço.
“Uma corrida armamentista espacial vai contra os interesses globais, mas se os EUA continuarem nesse caminho, outros países podem ser forçados a responder”, ele advertiu.
“A China não tem intenção de iniciar uma corrida armamentista espacial e permanece comprometida com o uso pacífico e a exploração do espaço sideral. Ao mesmo tempo, monitoraremos de perto os desenvolvimentos militares dos EUA e manteremos as contramedidas necessárias contra riscos decorrentes da militarização do espaço”, assinalou.
Em 1967, Estados Unidos, União Soviética e outros países assinaram o Tratado do Espaço Sideral, que proíbe a colocação de armas de destruição em massa em órbita. Mas Washington repetidamente buscou contorná-lo, como feito por Reagan e seu fracassado projeto “Guerra nas Estrelas” e, agora, com Trump e seu Domo de Ouro. Desde 2010, os EUA operam um avião robótico espacial reutilizável, o X-37B.
CAIXA DE PANDORA
Em uma coletiva de imprensa em maio de 2025, quando questionado sobre a apresentação dos planos dos EUA para o sistema antimísseis Golden Dome e o anúncio de que ele seria concluído em até três anos, Zhang Xiaogang, porta-voz do Ministério da Defesa Nacional da China, disse que a medida mais uma vez “abriria a caixa de Pandora.”
“Os EUA avançam com o sistema Golden Dome e implantam armas espaciais, expandem continuamente seu reforço militar e fomentam uma corrida armamentista no espaço sideral. Tais atos violam os princípios relevantes do Tratado do Espaço Exterior, aumentam o risco de transformar o espaço em uma zona de guerra e desencadear uma corrida armamentista espacial, além de abalar o regime internacional de segurança e controle de armas.”
“Isso prova mais uma vez que nenhum país fez mais do que os EUA para militarizar o espaço e transformá-lo em um campo de batalha. Instamos o lado americano a parar de expandir seu aumento militar no espaço e a tomar ações concretas para manter a estabilidade estratégica global”, reiterou Zhang.
Também a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, advertiu sobre as “consequências catastróficas” da militarização do espaço:
“Washington, ao perseguir seus interesses egoístas, está preparado para ignorar completamente as consequências catastróficas que qualquer conflito armado em órbita teria para a humanidade “. Ela acrescentou que as ações dos EUA colocam em risco “a sustentabilidade a longo prazo das atividades espaciais e as perspectivas de exploração espacial” por outros países.
O post China e Rússia condenam lançamento de armas ao espaço anunciado por Washington apareceu primeiro em Hora do Povo.
Fonte: Hora do Povo