Jovem que foi assassinada por desconhecido enquanto panfletava mandou áudios para amigo relatando movimentos estranhos
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – Áudios mostram temor de jovem antes de assassinato em Londrina e revelam visitas recorrentes do suspeito à academia onde ela trabalhava. Thaissa de Oliveira Marques, de 21 anos, relatou a um amigo, três dias antes de ser morta, que um rapaz vinha aparecendo repetidamente no estabelecimento e demonstrou preocupação ao acompanhá-lo por áreas sem câmeras de segurança.
Segundo reportagem do g1, os áudios foram enviados em 8 de setembro e passaram a integrar oficialmente o inquérito conduzido pela Polícia Civil do Paraná. A corporação afirma que o homem mencionado pela jovem nas gravações é Gabriel de Andrade, também de 21 anos, preso em flagrante no dia do crime.
Thaissa foi assassinada na sexta-feira (11), no estacionamento de uma academia que ainda se preparava para ser inaugurada em Londrina, no Norte do Paraná. Ela trabalhava no local e distribuía panfletos quando foi atacada.
As gravações acrescentaram uma nova peça à investigação ao mostrar que a jovem já havia percebido a frequência incomum das visitas do rapaz ao local. Segundo o relato feito ao amigo, ele havia ido pelo menos cinco vezes à academia, ora para perguntar sobre vagas de emprego, ora para conhecer as instalações.
Em um dos áudios, Thaissa descreveu o momento em que acompanhou o visitante pelas dependências da academia e revelou que se sentiu mais insegura ao chegar perto de uma área sem monitoramento por câmeras.
“Eu fui mostrar para ele a academia, ali. Aí eu peguei e entrei já pensando: ‘Tem câmera, né? Qualquer coisa, espero que o meu gerente esteja olhando’. Aí, fomos. Chegando perto do banheiro, eu falei: ‘Ah, ali são os banheiros e tudo mais, mas você não tem interesse em ver, não, né?’. Aí ele: ‘Não, quero ver os banheiros’. E eu pensando: ‘Não tem câmera’”, disse Thaissa no áudio.
O amigo que recebeu as mensagens, e que preferiu não ser identificado, contou à RPC que chegou a encontrar Gabriel em uma das ocasiões em que ele esteve na academia, embora não tenha conversado com ele.
O gerente do estabelecimento também confirmou em depoimento que Gabriel havia se inscrito para uma vaga de emprego antes do crime. De acordo com o delegado Magno Miranda, ele participou do processo seletivo, mas não foi contratado.
Suspeito alegou ter sido vítima de assalto
Depois do assassinato, Gabriel deixou a academia e parou em uma rua próxima porque apresentava ferimentos em uma das mãos. Pessoas que estavam no local prestaram auxílio, e ele disse inicialmente que havia sido vítima de um assalto.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar foram chamados para atender a suposta ocorrência. Enquanto as equipes estavam mobilizadas, trabalhadores que chegaram à academia encontraram manchas de sangue e comunicaram o fato aos policiais.
Os agentes então foram até o estabelecimento e encontraram o corpo de Thaissa. Segundo a polícia, após ser confrontado, Gabriel confessou o ataque.
Em nota, a corporação afirmou: “Ainda segundo os agentes, ele também teria declarado que pretendia estuprá-la e que, não conseguindo consumar o ato, acabou por matá-la”.
Gabriel foi preso em flagrante por homicídio qualificado consumado e tentativa de estupro. Em depoimento posterior à Polícia Civil, porém, apresentou versões contraditórias e afirmou não se lembrar dos detalhes, dizendo recordar apenas que havia ido à academia. Nesta quinta-feira (17), ele permanecia preso.
Segundo informações reunidas pelo g1, Thaissa foi atingida por 44 facadas. A investigação busca reconstruir os acontecimentos anteriores ao crime e determinar de que maneira as visitas feitas à academia se relacionam com o ataque.
A Polícia Civil informou que os áudios enviados pela jovem estão formalmente incorporados ao inquérito e afirmou que os elementos obtidos até agora permitem associar a pessoa citada por Thaissa ao homem preso. “Os elementos obtidos até o momento permitem identificar a pessoa referida neles como sendo o mesmo indivíduo que foi preso pelo feminicídio”, disse a corporação.
Defesa acompanha investigação
O advogado Antônio Magalhães, responsável pela defesa de Gabriel, informou que acompanha as investigações e aguarda o avanço das apurações. A defesa também declarou que o acusado possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas ressaltou que não pretende associar a condição ao crime.
Em nota, afirmou: “A defesa esclarece que não pretende utilizar o TEA como justificativa para o ocorrido, tampouco estabelecer qualquer relação entre autismo e violência. O que se busca é assegurar que sejam apuradas, de maneira técnica e responsável, as condições pessoais e comportamentais do acusado no momento dos fatos, inclusive mediante avaliação especializada, se necessária.”
A defesa também declarou que Gabriel prestou esclarecimentos às autoridades e sustenta que todas as circunstâncias precisam ser analisadas dentro do devido processo legal, com respeito ao contraditório e à ampla defesa.
A investigação segue em andamento para esclarecer toda a dinâmica do crime, a sequência das visitas anteriores à academia e os elementos reunidos nos depoimentos, gravações e demais provas incorporadas ao inquérito.
Fonte: Brasil 247