China e Índia rechaçam novas sanções dos EUA contra o petróleo russo
Por Hora do Povo — Hora do Povo
Os dois maiores importadores de petróleo russo, a China e a Índia repudiaram a recém aprovada no Congresso dos EUA ‘Lei Lindsey Graham’ de sanção aos hidrocarbonetos russos e iranianos, declarando-a ilegal sob o direito internacional e também lesiva aos seus interesses.
Além de – como notaram diferentes analistas – absurda no momento em que no mundo inteiro há escassez de petróleo e derivados, como consequência da guerra contra o Irã e seu corolário, o fracasso e fechamento do Estreito de Ormuz, mais o preço da gasolina e do diesel em disparada.
A cooperação da China com outros países não deve sofrer interferência de terceiros, declarou nesta quinta-feira (17), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em coletiva de imprensa.
“A China mantém relações comerciais e de cooperação econômica normais com países de todo o mundo, com base nos princípios da igualdade e do benefício mútuo, e nenhum terceiro tem o direito de interferir nessas relações”, enfatizou o diplomata.
Ao comentar a aprovação do projeto de lei dos EUA sobre sanções contra a Rússia, o porta-voz afirmou que a China se opõe à jurisdição extraterritorial, que, conforme destacou, “não tem fundamento no direito internacional nem foi autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU”.
Em comunicado, a Índia enfatizou que “continua firmemente comprometida em garantir a segurança energética para seus 1,4 bilhão de cidadãos e continuará a fazê-lo por meio da diversificação das fontes de abastecimento”, em resposta à chantagem de Washington.
ÍNDIA MANTERÁ DIVERSIFICAÇÃO DE SEU ABASTECIMENTO
“O lado indiano expressou claramente seu compromisso de tomar todas as medidas necessárias para proteger seus interesses comerciais e econômicos”, afirma ainda a nota do Ministério das Relações Exteriores.
“O governo trabalhará em estreita colaboração com entidades indianas do comércio e da indústria para lidar com as implicações desses desdobramentos”.
Nova Délhi registrou que as possíveis consequências das sanções foram discutidas com representantes americanos de alto nível.
Conhecida nos EUA como lei das “sanções infernais”, o ditame pretende impor 500% de tarifa sobre as exportações russas e, como sanção secundária, tarifa de 100% sobre os produtos dos países que comprem petróleo russo.
Na verdade, a principal medida é exatamente essa pressão sobre os compradores de petróleo russo.
Também busca perseguir o que chamam de “frota fantasma” e estabelecer outros mecanismos de monopolização do mercado de energia e, no caso da Rússia, alegando que os países que compram seu petróleo e gás estão financiando a guerra à Ucrânia (mais exatamente, a guerra da Otan contra a Rússia para anexar a Ucrânia).
Monstrengo que foi a derradeira perversidade do senador republicano fascista e corrupto, Lindsey Graham, aquele de quem Trump comentou que “não tinha uma guerra de que não tenha gostado”.
Além da Rússia, o projeto de lei Lindsey Graham atinge igualmente o Irã com tarifaço e restrições e, para entrar em vigor, só falta a assinatura do presidente Trump, dada como certa pela mídia americana.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, considerou que a iniciativa americana se enquadra na categoria de “ações hostis” contra Moscou. “E, naturalmente, a adoção de novas sanções pelos Estados Unidos, sem dúvida, complicará os esforços para alcançar uma solução pacífica para o conflito na Ucrânia”, enfatizou.
Coincidentemente, o achaque também é lançado – Trump ainda não assinou – às vésperas da viagem do presidente Xi Jiping aos EUA.
CAOS NO ABASTECIMENTO GLOBAL DE PETRÓLEO É AGRAVADO
Para analistas, a medida só serve para tumultuar um quadro já complexo de abastecimento global de petróleo e gás, com Ormuz fechado, o Estreito de Bab el-Mandeb fechado para o petróleo saudita, reserva americana estratégica de petróleo severamente depletada, com um inverno à frente no hemisfério norte. Também é crítico o nível de abastecimento de diesel no mundo.
Apesar de todas as sanções que já existiam contra a Rússia – 30.000! -, o preço do petróleo bruto russo Urals, exportado do porto de Primorsk, no Mar Báltico, chegou a US$ 121 por barril, após registrar um aumento de US$ 10 em uma única noite, representando um crescimento de quase 9%.
O preço acima de US$ 110 “ressalta o papel fundamental da Rússia como fornecedora confiável de energia” para evitar que a comunidade internacional seja assolada por crises energéticas, enfatizou Kirill Dmitriev, enviado especial do presidente russo e CEO do Fundo Russo de Investimento Direto. O petróleo russo “é um elemento indispensável para a matriz energética de qualquer país”, destacou.
Ao jornal Komsomolskaya Pravda, o cientista político Malek Dudakov disse que os países alvo “simplesmente ignorarão as ameaças americanas, já que há muito pouco petróleo e gás no mercado: eles precisam comprar o que está disponível e, além da Rússia, praticamente não restam grandes exportadores devido à situação no Oriente Médio”.
Analistas também apontaram que, particularmente contra a China, a imposição de tal tarifaço de 100% em razão do petróleo russo é de difícil efetivação, diante do poder de Pequim de reciprocidade, especialmente nas terras raras e alta tecnologia.
ELEIÇÃO COM GALÃO DE GASOLINA A US$ 4
Nos EUA, a alta da inflação vem sendo puxada pela escalada da gasolina comum, cujo preço médio ultrapassa US$ 4 dólares o galão, enquanto o preço médio do diesel já beira os US$ 6, desmoralizando as promessas de Trump às vésperas das eleições de novembro.
O projeto de “Lei de Sanções contra a Rússia e o Irã Lindsey O. Graham de 2026” foi aprovado pelo Senado dos EUA no mês passado com 86 votos a favor e 11 contra. Na Câmara, foi aprovado no último dia antes do recesso da eleição de meio de mandato, com 262 votos a favor e 159 contra. 58 democratas se bandearam para o outro lado e votaram a favor da lei Graham. Sete republicanos se opuseram.
Analistas também registraram que parlamentares que haviam exigido de Trump que fosse o Congresso, e não ele, que definisse o tarifaço, agora na prática estão reforçando sua política, que havia sido parcialmente limitada pela Suprema Corte.
O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, advertiu que “este projeto de lei poderia dar a Donald Trump poder ilimitado para impor tarifas ao povo americano.”
FAMÍLIAS AMERICANAS EMPOBRECIDAS
Ao se manifestar contrário, o senador republicano Rand Paul, lembrou que em 2025 os Estados Unidos importaram mais de US$ 308 bilhões em mercadorias da China e mais de US$ 103 bilhões da Índia. Uma hipotética tarifa de 100% sobre esses produtos teria um impacto negativo significativo na economia americana — ou, mais precisamente, em cada americano que compra esses produtos.
Como ele alertou em setembro: “Este projeto de lei tarifária parece ter sido escrito com tamanha fúria cega que suas medidas punitivas, em vez de forçar Vladimir Putin a mudar seu comportamento, empobrecerão as famílias americanas e minarão nossos interesses nacionais”.
O post China e Índia rechaçam novas sanções dos EUA contra o petróleo russo apareceu primeiro em Hora do Povo.
Fonte: Hora do Povo