Caso Master: campanha de Lula mobiliza força-tarefa e prepara ofensiva contra Flávio Bolsonaro no horário eleitoral
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A equipe responsável pela campanha à reeleição do presidente Lula (PT) organizou uma força-tarefa para analisar detalhadamente a documentação das investigações sobre o Banco Master, que teve o sigilo parcialmente levantado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A partir do material examinado, a coordenação da campanha prevê a inclusão de novas inserções e ataques direcionados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário na disputa presidencial, na propaganda eleitoral gratuita do rádio e da televisão a partir deste sábado (12), informa o jornal O Globo.
O foco da equipe de comunicação petista é expor os pontos de maior desgaste para o candidato do PL. Um dos vídeos já em fase final de preparação ressaltará que o parlamentar é alvo de investigação judicial sob suspeita de prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito do inquérito que apura o financiamento da produção do filme “Dark Horse”, obra cinematográfica sobre Jair Bolsonaro (PL).
Para viabilizar as produções audiovisuais e os conteúdos direcionados às redes sociais, os profissionais da área de comunicação da campanha vararam a madrugada analisando as peças jurídicas liberadas pelo ministro André Mendonça, do STF. A linha central da estratégia comunicativa consiste em explorar politicamente a proximidade entre o parlamentar e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apelidando a associação pejorativamente de “Fláviorcaro”. Entre os materiais prontos para veiculação, uma das peças afirma textualmente: “Justiça confirma: Flávio Bolsonaro é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro no Banco Master”.
A apuração em curso contra Flávio Bolsonaro foi instaurada no mês de julho para apurar supostas irregularidades e ilícitos financeiros na captação de recursos para o filme “Dark Horse”. O inquérito busca esclarecer suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo valores relacionados a Daniel Vorcaro. A existência do procedimento investigativo não pressupõe comprovação de culpa nem condenação. O senador, por sua vez, nega categoricamente qualquer irregularidade e sustenta que a produção foi financiada exclusivamente por investimentos da iniciativa privada.
A decisão proferida pelo STF na noite de quinta-feira determinou o fim do segredo de justiça de trechos das apurações do Banco Master. No entanto, o Tribunal optou por manter o sigilo sobre os desdobramentos específicos da investigação do filme “Dark Horse”.
Diante do cenário e do ambiente de instabilidade na Corte, a exigência pelo fim irrestrito do segredo de justiça de todas as frentes de investigação passou a ser a principal diretriz política da campanha do PT. A medida visa conter o que interlocutores do Palácio do Planalto e da coordenação eleitoral apontam como “vazamentos seletivos” de informações, estratégia que vinha gerando desgastes à imagem do presidente Lula no decorrer do processo eleitoral.
A articulação política para pressionar pela publicidade total dos inquéritos foi debatida pelo presidente Lula com ministros do governo, coordenadores de campanha e interlocutores do STF. O próprio chefe do Executivo manteve contato direto com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, e outros integrantes do Supremo nos últimos dias.
Em entrevista concedida ao SBT, o presidente defendeu abertamente a transparência integral do processo como forma de resguardar a imagem do próprio Judiciário. “Já que é para fazer vazamento seletivo, eu ontem conversei com o ministro Fachin e outros ministros: tem que fazer abertura do sigilo de todo mundo. Colocar todo mundo nu diante da sociedade brasileira para ver se a Suprema Corte recupera a sua credibilidade”, declarou Lula.
Anteriormente, em manifestação veiculada em suas redes sociais, o presidente já havia classificado as suspeitas em torno do Banco Master como o “maior crime financeiro da história do Brasil”, cobrando transparência das instâncias judiciais. “Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral. Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, enfatizou o mandatário.
Fonte: Brasil 247