Gonet vai dividir atuação do Master com dois subprocuradores
Por Flávia Maia — JOTA
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, designou os subprocuradores-gerais da República André de Carvalho Ramos e Antônio Edílio Magalhães Teixeira para atuarem com ele nos feitos judiciais e extrajudiciais relacionados ao caso Master. Pelo despacho, os dois ficam autorizados a atuar em processos do Supremo Tribunal Federal (STF).
Gonet já vinha indicando nos bastidores que a solução para o caso Master seria dividir as atribuições, de modo que ele não se afastasse, e, ao mesmo tempo, não atuasse em procedimentos em que ele fosse citado.
O nome de Gonet apareceu no caso Master quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. De acordo com o relatório da PF, em um troca de mensagens, Vorcaro escreveu: “informações informais e em confidencia de turma do Banco Central, que G e os diretores estão na pressão máxima de novo pra uma medida, pois o Bacen esté sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim”. Em seguida, Vorcaro diz que é “importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”.
No relatório, as investigações entendem que “Paulo” poderia se referir a Gonet. Ao pesquisar o celular, foram encontradas fotos e mensagens trocadas entre o advogado Ciro Soares e Vorcaro, mencionando “Gonet” e “Pedro Gonet”, filho do PGR. Entre as conversas estão incluídas tratativas para uma viagem a Londres com despesas pagas pelo grupo, e uma menção de Ciro Soares dizendo estar indo “no PG” (Procuradoria-Geral).
A PF traz um print de uma conversa em 19 de junho de 2025 em que Ciro Soares diz a Vorcaro: “PG confirmou a ida pra Londres”. Em seguida, Ciro questiona se o “Pedrinho filho do PG pode ir com a gente”. Vorcaro responde afirmativamente “Óbvio”.
Entretanto, a PF pondera que não há contato salvo diretamente com o nome “Paulo Gonet” na agenda de Vorcaro e que as menções foram localizadas em conversas de terceiros.
Fonte: JOTA