Casal é condenado a mais de 360 anos de prisão por estupro de vulnerável e armazenamento de pornografia infantil, em Goiás
Por Mylenna Scheidegger — Jornal Opção

Um homem e uma mulher foram condenados a mais de 363 anos de prisão por crimes de estupro de vulnerável e armazenamento de material de abuso sexual infantil em Morrinhos, no sul de Goiás. Segundo a Justiça, pelo menos dez crianças, com idades entre 3 e 7 anos, foram vítimas do casal entre 2021 e 2025.
A mulher recebeu pena de 159 anos e 17 dias de reclusão, além de 270 dias-multa. O homem foi condenado a 204 anos, quatro meses e dez dias de prisão, além de 342 dias-multa. Somadas, as penas chegam a 363 anos, quatro meses e 27 dias.
A sentença foi proferida pela juíza Shauhanna Oliveira de Sousa Costa. Os dois deverão cumprir as penas inicialmente em regime fechado e tiveram negado o direito de recorrer em liberdade. Eles estão presos desde outubro de 2025, quando foram detidos durante a investigação.
Conforme a investigação, o casal utilizava a própria filha para se aproximar de outras crianças. Amigas da menina eram convidadas para ir à residência da família para brincar. A mulher também oferecia serviços de babá para mães da região. Segundo o processo, dessa forma, os dois conseguiam ter contato frequente com as crianças e permanecer sozinhos com elas.
A investigação teve início depois que a própria filha encontrou mensagens no celular da mãe. Em uma delas, o padrasto fazia pedidos relacionados a imagens de nudez. A menina contou o que havia visto a familiares, que procuraram as autoridades.
Com a denúncia, a Polícia Civil iniciou as diligências e obteve autorização judicial para apreender aparelhos eletrônicos e analisar os dados armazenados. Durante as buscas, foram encontrados cerca de 230 gigabytes de material de abuso sexual infantil nos dispositivos dos acusados.
Segundo as informações reunidas no processo, havia registros envolvendo diferentes vítimas e imagens dos próprios crimes praticados pelo casal. As crianças foram ouvidas por meio de depoimento especial, procedimento utilizado para reduzir os impactos da participação delas no processo. Mais de 20 testemunhas também prestaram depoimento durante a ação.
A defesa da mulher alegou que ela teria cometido os crimes sob coação do companheiro. A justificativa, porém, não foi acolhida pela Justiça. Na sentença, a magistrada apontou que as conversas, vídeos e depoimentos reunidos durante a investigação indicavam participação ativa da mulher nos crimes.
Além das penas de prisão, a Justiça determinou a perda do poder familiar sobre os filhos. Cada criança vítima dos crimes sexuais deverá receber R$ 30 mil de indenização. Nos casos relacionados ao armazenamento de imagens, foi estabelecido ainda o pagamento de R$ 10 mil por vítima.
As crianças e os familiares deverão ser encaminhados para acompanhamento psicológico especializado pela rede de proteção do município. Durante o processo, também surgiram relatos sobre outras possíveis condutas criminosas. Esses fatos deverão ser investigados separadamente pelo Ministério Público de Goiás (MPGO). A decisão é de primeira instância e ainda pode ser contestada por meio de recurso.
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Fonte: Jornal Opção