Campanha Lula leva à propaganda eleitoral caso de menina morta por PM defendido por Flávio

0

Por Wendal Carmo — Carta Capital

Menu

Ana Clara foi atingida por disparos de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, quando brincava com o irmão de dois anos na porta de casa,

Na reta final da campanha, a coligação de Lula (PT) levará à propaganda eleitoral o caso de Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos morta por disparos de fuzil em Niterói (RJ), em 2021.

O material explora a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista neste pleito, na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de ser o responsável pela morte da criança.

A estratégia é fazer um contraponto ao discurso do filho de Jair Bolsonaro na segurança pública, área que ele tenta consolidar como uma de suas principais bandeiras de campanha. A ofensiva petista também busca associar Flávio a grupos de milícia com atuação no Rio e ao banqueiro Daniel Vorcaro, que investiu milhões de dólares em “Dark Horse”.

Nos últimos dias também houve uma guinada nos materiais distribuídos pela campanha de Lula, que passaram a destacar 13 propostas por “mais firmeza contra o crime”. Uma delas prevê regras mais rígidas para a liberação de presos por crimes violentos após audiências de custódia. Essa nova abordagem vinha sendo testada pelo petista desde o início do ano, mas ganhou força com o acirramento da disputa.

Integrantes da campanha relatam, sob reserva, que pesquisas internas indicaram adesão significativa dos eleitores ao discurso de combate à violência de Flávio, mas não necessariamente à ideia de que ele seria capaz de enfrentar o problema.

É justamente essa percepção que a campanha de Lula tenta explorar no vídeo sobre o caso Ana Clara. “Você acha que quem defende um assassino de criança vai te defender?”, questiona a locutora em uma peça.

Revelado em março pelo ICL Notícias, o caso ganhou nova repercussão nesta quarta-feira 30 com o lançamento de “O Julgamento que Nunca Aconteceu”, série jornalística apresentada pela atriz Camila Pitanga. A produção reconstitui a morte da menina e aborda a participação de Flávio na defesa de Delaroli.

Ana Clara foi atingida por disparos de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, quando brincava com o irmão de dois anos na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno. Segundo a denúncia do MP fluminense, Delaroli efetuou quatro disparos em direção a uma área residencial e assumiu o risco de matar.

Ao escutarem os disparos de arma de fogo, pessoas que passavam pelo local gritaram “é morador, é morador”, em tentativa de fazer com que os disparos cessassem. “Mesmo após a advertência, o policial militar seguiu com os disparos, não se importando com o risco assumido de produzir o resultado morte”, ressaltou a acusação.

Os advogados do policial sustentam que ele reagiu a uma agressão de traficantes. Ele foi preso em flagrante, mas teve prisão revogada alguns meses depois e respondeu ao processo em liberdade. Mais de cinco anos depois, o PM – enquadrado no crime de homicídio doloso (quando há intenção de matar), ainda não foi julgado pelo crime.

Flávio passou a integrar a equipe de defesa de Delaroli em 2024, quando assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça para impedir que seu cliente fosse levado a júri popular. O pedido foi negado. Na época, o hoje presidenciável já exercia mandato de senador pelo Rio.

A causa também envolveu o escritório do advogado Paulo Márcio Ennes Klein, que atuou na defesa de Fabrício Queiroz, pivô do esquema das “rachadinhas” no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa fluminense.

Formado em Direito pela Universidade Candido Mendes, o ’01’ atuou no caso com inscrição suplementar da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal. Ele não é impedido de trabalhar como advogado por exercer mandato no Senado. Pelo Estatuto da Advocacia, parlamentares só não podem advogar contra ou a favor de órgãos e entidades ligados à administração pública.


Wendal Carmo

Repórter do site de CartaCapital no Nordeste

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.


Desenvolvido por OKN Technology Agency

Fonte: Carta Capital

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *