Campanha de Flávio Bolsonaro prevê excluir beneficiários do Bolsa Família após dois anos
Por henriquenunes — Fundação Perseu Abramo
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prevê a saída de beneficiários do Bolsa Família após um período de transição de dois anos. A proposta foi apresentada nesta segunda-feira (19) pela coordenadora econômica do candidato, Daniella Marques, em entrevista à CBN Bahia.
Segundo a campanha, a regra alcançaria beneficiários que conseguissem emprego com carteira assinada ou abrissem um negócio, com previsão de retorno automático caso a tentativa não desse certo. Ao justificar a proposta, Marques afirmou que “as pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família”.
A coordenadora disse, ainda, que o tema será conduzido pelo Ministério da Prosperidade, pasta anunciada por Flávio durante a campanha eleitoral. O ministério ajudaria a população a deixar o Bolsa Família por meio da concessão de crédito para abrir um negócio, além de oferecer capacitação.
Números contrariam discurso da coordenadora
A ideia de que as pessoas ficam presas ao programa não se sustenta diante dos dados. Somente entre janeiro e outubro de 2025, mais de 2 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família após melhorarem suas condições de renda.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a saída de beneficiários está ligada principalmente ao aumento da renda e à formalização do trabalho, impulsionados pelo crescimento do emprego e pela estabilidade da economia brasileira.
Nesse período, o número de famílias atendidas passou de 20,5 milhões para 18,9 milhões, o menor desde 2022. Os repasses mensais passaram de R$ 13,8 bilhões para R$ 12,88 bilhões.
Em um recorte mais longo, os números também contrariam o discurso de dependência permanente. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), realizado em parceria com o MDS, revela que 60,68% das pessoas que recebiam o benefício em 2014 deixaram o programa até 2025.
Entre os adolescentes que integravam famílias beneficiárias em 2014, os percentuais foram ainda maiores: 68,8% entre aqueles que tinham de 11 a 14 anos e 71,25% entre os que tinham de 15 a 17 anos.
Fonte: Fundação Perseu Abramo