Ações sustentáveis nas escolas transformam o medo das mudanças climáticas em liderança
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O enfrentamento das emergências climáticas deixou de ser um debate puramente teórico para se consolidar como um catalisador do desenvolvimento infantojuvenil nas salas de aula. Na rede Marista Brasil, que integra 97 escolas espalhadas por 20 estados, a sustentabilidade se transformou em ação prática por meio do Observatório Marista do Clima.
Lançado no final de 2024, o projeto nasceu como uma resposta direta aos desafios ambientais já sentidos pelas comunidades escolares, de norte a sul do país, e foi inspirado pelo apelo da encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, sobre a corresponsabilidade no cuidado com a casa comum.
Felipe Peixoto, pedagogo e analista de Identidade, Missão e Vocação no Marista Brasil, é um dos articuladores dessa transformação. Ele explica que a iniciativa se baseia no conceito pedagógico de aprendizagem em serviço solidário, onde o ensino não se desassocia de impactos concretos na comunidade.
“O Observatório parte de um pressuposto onde não é o professor que vai ditar o conhecimento ou qual é a construção que o aluno vai fazer. É um movimento que precisa nascer de uma escuta da comunidade escolar, com a curiosidade e o protagonismo do aluno, para que o professor faça a mediação dos componentes curriculares”, detalha o especialista.
Com quase 800 estudantes já inscritos como membros observadores em 2026, esse protagonismo tem gerado soluções inovadoras lideradas pelos próprios jovens. Felipe relata experiências como a de uma escola em Curitiba onde os alunos, incomodados com as sobras de refeições, criaram um “desperdiçômetro” para medir as perdas.
A partir desses dados, construíram novas composteiras que hoje fortalecem a horta da unidade. Em outro projeto na mesma cidade, os estudantes decidiram investigar a emissão de gás carbônico da escola e começaram a estruturar um aplicativo próprio para calcular e ajudar a reduzir essa pegada climática.
A capacidade de observação crítica também levou turmas a medirem as variações de temperatura em diferentes espaços físicos das unidades, buscando desenvolver formas de amenizar o calor de maneira inteligente. Já para a simulação paralela da COP30, realizada pelo grupo em Belém do Pará, estudantes investigaram alternativas ecológicas e formularam um repelente utilizando apenas plantas nativas de sua região, distribuindo o produto para os colegas durante a conferência.
Além do impacto prático e ambiental, Peixoto destaca um benefício emocional “profundo” gerado por esse engajamento. Segundo o pedagogo, debater a educação climática de forma integrada é uma ferramenta essencial para diminuir a ansiedade climática, um sentimento de apreensão crescente entre os jovens diante das incertezas geradas por desastres naturais, como as fortes enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. Ao compreenderem que é possível desenhar e aplicar soluções em suas próprias comunidades para mitigar esses cenários, os alunos substituem o medo pela esperança ativa.
Além do impacto prático e ambiental, há um benefício emocional gerado por esse engajamento, segundo pedagogo responsável pela iniciativa
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É essa cultura sistêmica, defendida e estruturada pelo Observatório, que fomenta o sucesso de práticas locais em toda a rede. Iniciativas de grande destaque externo, como o SustentArqui no Colégio Marista Arquidiocesano (SP), premiado pelo Instituto Lixo Zero, e as oficinas de agroecologia na primeira infância do Lar Feliz (SP), refletem a aplicação prática dessa diretriz, comprovando que o respeito à natureza se constrói desde os primeiros anos de vida até o ensino médio.
Para o futuro, o foco do projeto é promover conferências regionais e uma grande conferência nacional, ampliando ainda mais o intercâmbio de descobertas e impactos. O grande trunfo de todo esse ecossistema, como pontua Felipe, é a consolidação de uma rede colaborativa que se tornou autônoma.
“Uma pessoa não é dona do projeto, quem é dona é a rede como um todo. Amanhã, se eu ou um professor sairmos, o projeto continua. Ele já criou uma capacidade e uma consolidação na rede, e acontece com as pessoas que estão envolvidas naquele ambiente”, conclui o analista, reforçando que a verdadeira educação climática é aquela que forma indivíduos capazes de liderar a transição para um mundo mais seguro.
Observatório Marista do Clima tem quase 800 estudantes já inscritos como membros observadores em 2026
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Fonte: umsoplaneta