Aprovação de Trump segue em queda e atinge menor patamar

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Por otero — Fundação Perseu Abramo

A aprovação do presidente Donald Trump caiu para 32%, o menor patamar de toda a sua carreira política, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 21 de setembro. O número representa uma queda de três pontos em relação à semana anterior, quando marcava 35%, e supera o piso anterior de 33% — registrado em dezembro de 2017 e repetido por três semanas seguidas em agosto deste ano. O levantamento ouviu 1.277 adultos estadunidenses ao longo de quatro dias, com margem de erro de 3 pontos percentuais.

O dado mais revelador, porém, não é a aprovação geral, mas o que está por trás dela. Apenas 17% dos entrevistados aprovam a forma como Trump conduz as políticas que interferem no custo de vida — o tema que os cidadãos apontam como principal para definir seu voto em novembro. E, pela primeira vez, os republicanos que desaprovam o desempenho do presidente nessa área superam os que o aprovam: 51% a 44%.

A guerra que virou conta de luz

A insatisfação dentro do próprio campo republicano vem crescendo desde que Trump lançou a guerra contra o Irã, em fevereiro, conflito que empurrou fortemente os preços da gasolina e do diesel para cima. O presidente voltou à Casa Branca em janeiro de 2025 prometendo domar a inflação e encerrar guerras estrangeiras — na pesquisa realizada horas depois de sua posse, tinha 47% de aprovação. Um ano e meio depois, perdeu 15 pontos.

A guerra, que Trump inicialmente disse que duraria poucas semanas, segue sem sinal de recuo. No início de setembro, o presidente prometeu que o conflito terminaria “imediatamente depois” da eleição, mas Teerã e seus aliados mantém resistência, causando perturbações ao mercado de petróleo. O conflito retirou do mundo uma fatia significativa do petróleo e do gás produzidos no Oriente Médio, e ameaça alimentar uma inflação maior nos Estados Unidos e em outros países à medida que as empresas repassam os custos mais altos de combustível ao consumidor.

O apoio à própria ação militar é minoritário: apenas 34% dos entrevistados aprovam os ataques ao Irã. E 82% dos participantes — incluindo nove em cada dez democratas e três quartos dos republicanos — afirmam que o conflito provavelmente se estenderá por um “período prolongado”.

O custo político nas urnas

O desgaste tem efeito eleitoral direto. Na pesquisa, eleitores registrados preferiram os democratas aos republicanos por 43% a 35% na disputa pelas eleições de meio de mandato que acontecem em 3 de novembro. O processo eleitoral vai definir o controle do Congresso pelos próximos quatro anos. A diferença de 8 pontos é a maior vantagem democrata registrada pela Reuters/Ipsos neste ano. Para os republicanos, perder o controle de qualquer uma das Casas complicaria a agenda de Trump nos dois últimos anos de mandato.

O levantamento foi concluído no domingo, 20, ao fim de uma semana em que Trump expulsou três grandes organizações de imprensa da Casa Branca e sugeriu que o Kennedy Center for the Performing Arts, em Washington — batizado em homenagem ao presidente assassinado John F. Kennedy — poderia ser demolido caso seu próprio nome não fosse acrescentado ao prédio.

Onde o presidente ainda resiste

Trump segue popular entre republicanos no tema da imigração, com 79% de apoio dentro do partido. No conjunto dos americanos, porém, apenas 36% apoiam sua abordagem ao tema, contra 55% que desaprovam. Alguns aliados republicanos no Congresso têm alertado que sua campanha agressiva de deportação de pessoas em situação irregular pode afastar eleitores com familiares recém-imigrados, como parte dos hispânicos.

Na área de combate ao crime, 35% aprovam a atuação do presidente, contra 50% que desaprovam. 

Fontes

Reuters, “Trump approval falls to career low of 32% as high costs bite, Reuters/Ipsos poll finds”, por Jason Lange, 21 de setembro de 2026. reuters.com

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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