Mauro Vieira copreside reunião em defesa da agência da ONU para refugiados palestinos
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, copresidiu nesta quinta-feira (24) uma reunião ministerial em defesa da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).
O encontro ocorreu enquanto dezenas de delegações, inclusive a brasileira, abandonaram o plenário da Assembleia Geral da ONU durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
O encontro em apoio à UNRWA foi organizado por Brasil, Jordânia e Espanha e contou também com a participação do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
Delegações deixam plenário durante discurso
A saída de representantes de diversos países ocorreu em meio a vaias durante o discurso de Netanyahu. O presidente da sessão, Khalilur Rahman, precisou pedir ordem mais de uma vez.
A delegação brasileira já havia adotado procedimento semelhante durante o pronunciamento de Netanyahu na Assembleia Geral de 2025. O primeiro-ministro israelense reagiu à retirada das delegações. “Se outros covardes morais ainda estivessem presentes, poderiam se retirar”, afirmou.
Enquanto parte dos representantes deixava o salão, convidados e aliados de Israel nas tribunas manifestaram apoio ao premiê.
Vieira critica ações contra a UNRWA
Segundo o jornal Folha de São Paulo, durante a reunião ministerial, Mauro Vieira criticou as ações de Israel contra a agência da ONU responsável pela assistência aos refugiados palestinos. “Há quase três anos, Israel vem conduzindo uma campanha orquestrada contra as operações, instalações e funcionários da UNRWA”, afirmou o chanceler.
A UNRWA teve quase 400 funcionários mortos na Faixa de Gaza desde outubro de 2023. A agência também tem sido alvo de ataques e de medidas adotadas por autoridades israelenses.
A sede principal da UNRWA em Jerusalém Oriental foi demolida em janeiro. Em agosto, autoridades israelenses invadiram e confiscaram o maior centro de formação profissional da agência, localizado em Qalandiya, na Cisjordânia.
Lula havia acusado o governo Netanyahu de genocídio
A manifestação de Vieira ocorreu dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticar o governo israelense durante seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU.
Ao falar sobre a situação na Faixa de Gaza, Lula citou Netanyahu e afirmou que gerações de palestinos carregarão “a dor e o trauma deixados pelo genocídio” praticado pelo governo israelense contra mulheres e crianças em Gaza.
Lula já havia retornado ao Brasil quando Netanyahu discursou nesta quinta-feira (24).
Netanyahu é alvo de mandado do TPI
A presença de Netanyahu em Nova York também ocorreu em meio ao mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro israelense, relacionado a acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Os Estados Unidos não são parte do Estatuto de Roma, tratado que criou o TPI, e não reconhecem a obrigação de executar o mandado em território estadunidense.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, havia declarado anteriormente que Netanyahu seria preso caso visitasse a cidade. Depois, reconheceu que não tinha autoridade para determinar a prisão.
Protestos contra a presença do primeiro-ministro israelense também foram realizados em Nova York durante a Assembleia Geral.
Abbas participa da Assembleia por videoconferência
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, participou da Assembleia Geral por videoconferência nesta quinta-feira (24). O governo dos Estados Unidos havia negado a concessão de visto para sua entrada no país.
Abbas declarou que os palestinos vivem “um dos períodos mais perigosos de sua história” e afirmou que as ações de Israel em Gaza e na Cisjordânia ameaçam “a própria vida e a existência do povo palestino”.
Fonte: Brasil 247