Antes de possível restrição, bets reduziram presença na Série A e concentraram patrocínios
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Publicado em 18 de Setembro de 2026 às 13:32
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As empresas de apostas esportivas reduziram sua presença no espaço master das camisas dos times da Série A do Campeonato Brasileiro entre 2025 e 2026 e concentraram investimentos em menos clubes, em movimento que estava em curso antes da discussão do governo federal sobre novas restrições ao setor.
No ano passado, 18 das 20 equipes tinham uma bet como patrocinadora no espaço nobre do uniforme. Na atual temporada, são 13. Além disso, Santos e Vasco trocaram seus parceiros e, posteriormente, fecharam novos vínculos com empresas do setor, porém com valores inferiores aos antigos contratos.
Em movimento oposto, clubes como Corinthians e Flamengo ampliaram seus ganhos com as empresas de apostas. A equipe rubro-negra saiu de R$ 125 milhões por ano com a Pixbet para R$ 268,5 milhões ao ano com a Betano. O contrato pode chegar a R$ 280 milhões com variáveis. Já o clube alvinegro renovou o contrato da Esportes da Sorte em 2026 por R$ 150 milhões fixos, podendo chegar a R$ 200 milhões. O acordo anterior era de cerca de R$ 103 milhões.
O movimento ajuda a colocar em perspectiva o alerta feito nesta quinta-feira (17) por clubes do Rio e São Paulo e também pela Abert (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão). Em manifesto, as entidades defenderam a manutenção da publicidade de empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda e afirmaram que, se o mercado regulado acabar, “o futebol acaba”.
“O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado”, diz trecho do manifesto dos clubes.
O texto, compartilhado também pela FPF (Federação Paulista de Futebol) acrescenta que as entidades reconhecem a necessidade de colaborar para combater o vício nas apostas e o endividamento das famílias. “O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização.”
O argumento das entidades parte da dependência financeira. As bets passaram a ocupar espaço central no mercado de patrocínio esportivo e ajudaram a elevar o valor pagos aos times. Mas a própria mudança vista ao longo de 2026 mostra que esse dinheiro já não está distribuído da mesma maneira entre as 20 equipes. A saída de patrocinadores de Bahia, Internacional, Grêmio e Coritiba reduziu a presença das bets no espaço master dos uniformes, enquanto contratos de clubes de maior exposição continuaram em patamares elevados.
O caso do Santos é outro exemplo da mudança de perfil. A saída da 7K não significou o abandono do setor. O clube trocou uma empresa por outra. O novo contrato com a Novibet passou a ter repasse fixo inferior ao anterior, em uma redução de cerca de 30%. No Grêmio e no Internacional, a ruptura teve outra origem. Os dois clubes encerraram o acordo com a Alfa Bet depois de atrasos nos pagamentos. A empresa posteriormente acumulou cobranças judiciais.
O cenário atual é, portanto, diferente daquele de 2025. As bets continuam entre os principais anunciantes do futebol brasileiro, mas já não ocupam o mesmo espaço em toda a Série A. A indústria reduziu o número de empresas dispostas a investir, concentrou recursos em marcas maiores e manteve contratos elevados nos clubes de maior exposição.
Os casos indicam que a retração não pode ser explicada apenas pela decisão de clubes ou do governo. A própria indústria passa por um processo de consolidação. A regulação elevou custos, a concorrência aumentou e algumas empresas menores passaram a ser incorporadas por grupos maiores. Em junho, a Folha de S.Paulo mostrou que bets endividadas acumulavam cerca de R$ 100 milhões em cobranças e que empresas do setor passaram a restringir gastos, inclusive em marketing.
O governo federal passou a discutir possíveis restrições às apostas diante da preocupação com o impacto da atividade sobre o orçamento das famílias. Houve reuniões entre integrantes do governo sobre o tema, mas nenhuma decisão foi tomada e não há prazo definido para uma medida. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que as discussões se concentram nos efeitos das apostas sobre os gastos das famílias.
A ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) estima que eventuais restrições poderiam provocar cerca de R$ 9 bilhões em cortes nos investimentos do setor até o fim das licenças, em 2029, considerando publicidade em televisão, influenciadores e patrocínios esportivos.
O manifesto dos clubes se apoia justamente nessa estimativa. As entidades afirmam que a publicidade de empresas autorizadas ajuda a diferenciar o mercado regulado de plataformas clandestinas e argumentam que uma restrição poderia fortalecer operadores ilegais.
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