Pix e economia fraca pressionam Stone e PagBank, enquanto BTG amplia atuação em pagamentos

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Por Luis Mauro FilhoBrasil 247

247 – Stone e PagBank devem apresentar resultados do terceiro trimestre abaixo das expectativas do mercado, pressionadas pelo menor ritmo da atividade econômica, pelo avanço do Pix e pelo aumento dos riscos de crédito. A projeção consta de relatório do BTG Pactual divulgado pelo Brazil Stock Guide, assinado pelos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.

O BTG estima que o volume total de pagamentos processados, conhecido pela sigla TPV, cresça em ritmo de um dígito baixo a médio nas duas companhias. A receita, porém, deve avançar menos do que os volumes devido a uma composição menos favorável das transações.

Segundo o relatório, a expansão do Pix sobre pagamentos anteriormente realizados com cartões reduz a taxa de monetização das empresas sobre as operações. O ambiente competitivo também ficou mais intenso diante da dificuldade de sustentar crescimento orgânico, levando alguns participantes do mercado a oferecer promoções direcionadas a determinados produtos e grupos de clientes.

As projeções aumentam, na avaliação do banco, o risco de que Stone e PagBank precisem revisar suas metas para 2026 caso a fraqueza operacional persista.

Ao mesmo tempo, o próprio BTG passou a disputar diretamente o mercado de adquirência, responsável pelo credenciamento de estabelecimentos e processamento de pagamentos. O banco iniciou na sexta-feira (11) as operações do BTG Pay, que reúne terminal próprio de pagamentos, soluções de crédito e ferramentas de gestão financeira para empresas.

Stone enfrenta pressão sobre clientes e crédito

O BTG projeta deterioração mais acentuada para a Stone. Lucro bruto, resultado antes dos impostos e lucro líquido devem recuar tanto em relação ao segundo trimestre quanto na comparação anual.

O lucro da companhia pode ficar mais de 10% abaixo da estimativa do próprio BTG e também do consenso de mercado, segundo o relatório.

A Stone também enfrenta perda de clientes. A companhia identificou preços acima dos praticados pelo mercado e a complexidade de seus produtos como fatores que contribuíram para o aumento da saída de usuários e passou a reduzir preços e simplificar sua oferta.

Entre os microempreendedores, a taxa de perda de clientes já se aproxima dos níveis considerados normais pelo BTG. O segmento de pequenas e médias empresas, porém, ainda não apresenta a mesma melhora.

Algumas das novas ofertas da Stone priorizam o valor econômico gerado pelo cliente ao longo de um período mais longo, estratégia que pode reduzir a monetização no curto prazo enquanto a empresa tenta fortalecer a relação com sua base.

A área de crédito constitui outra fonte de pressão. A carteira automatizada de capital de giro continua apresentando desempenho considerado adequado pelo banco, mas a mesa dedicada de crédito ainda carrega empréstimos de maior valor concedidos em 2025.

O relatório aponta que casos problemáticos específicos de algumas empresas começaram a aparecer com maior frequência durante o terceiro trimestre. Por isso, o BTG espera que o custo de risco permaneça próximo ao registrado no segundo trimestre, em vez da queda anteriormente projetada.

Uma melhora mais perceptível dependeria da redução gradual da participação desses empréstimos antigos na carteira.

PagBank deve registrar desaceleração do TPV

O PagBank também deve ficar abaixo das projeções. O BTG estima que o crescimento anual do TPV seja inferior aos 3% registrados no segundo trimestre, principalmente devido à atividade econômica mais fraca.

A receita deve recuar na comparação com os três meses anteriores. A maior participação do Pix e o aumento do peso de grandes comerciantes na base de clientes reduzem a taxa média capturada pelo PagBank sobre as transações.

O banco também projeta queda sequencial do lucro bruto, movimento que pode aumentar o risco de revisão para baixo da meta anual desse indicador.

Na área de crédito, o crescimento da carteira deve permanecer dentro da faixa de 25% a 35% prevista pelo PagBank. A mudança na composição, contudo, preocupa os analistas: uma parcela maior de empréstimos sem garantia tende a elevar tanto o custo de risco quanto os índices de inadimplência.

O cenário considerado mais provável pelo BTG é de redução do lucro líquido em relação ao segundo trimestre. O resultado pode ficar entre 5% e 10% abaixo do consenso do mercado.

Disputa por crescimento muda estratégia das empresas

O relatório avalia que o mercado brasileiro de adquirência vem crescendo menos do que se esperava. Nesse ambiente, Stone e PagBank passaram a buscar maior expansão em serviços bancários e crédito à medida que conquistar participação adicional no negócio tradicional de pagamentos se torna mais difícil.

O BTG demonstra cautela com essa mudança. Embora considere que as operações centrais de pagamentos das duas empresas ainda proporcionem retornos atrativos, o banco avalia que a tese de investimento está ficando mais dependente de uma queda dos juros, que reduziria os custos de captação.

O BTG manteve recomendação de compra para as ações da Stone e classificação neutra para o PagBank. No relatório, os analistas reconheceram que, em retrospecto, o banco também deveria ter reduzido a recomendação da Stone quando rebaixou o PagBank para neutro no início deste ano.

A avaliação é que as tendências operacionais da Stone ficaram mais fracas e menos previsíveis, apesar do nível de preço das ações. Pelas estimativas apresentadas no relatório, a Stone negocia a 4,6 vezes o lucro projetado para 2026, enquanto o múltiplo do PagBank é de 5,8 vezes.

Os múltiplos reduzidos, segundo o BTG, agora são contrapostos por um ambiente operacional mais difícil, marcado por atividade econômica enfraquecida, avanço do Pix sobre a economia dos cartões, maior risco de crédito e aumento da concorrência no setor de pagamentos.

Fonte: Brasil 247

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