Duas mulheres são vítimas de feminicídio em menos de 6h no Norte do ES
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Publicado em 18 de Setembro de 2026 às 13:38
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Em menos de seis horas, duas mulheres foram mortas a tiros em casos investigados como feminicídio no Norte do Espírito Santo. Os crimes aconteceram entre a tarde e a noite de quinta-feira (17), em Montanha e Ponto Belo , municípios que fazem divisa. Nos dois casos, os namorados das vítimas são apontados como suspeitos.
As vítimas são Alessandra Batista Alves de Souza, de 24 anos, e Janety Alves, de 40. Em Ponto Belo, Alessandra foi morta com um tiro na cabeça. Em Montanha, Janety foi baleada dentro de um apartamento.
Alessandra Batista Alves de Souza, de 24 anos, foi encontrada morta, com um tiro na cabeça, caída na cozinha de uma casa no bairro Morumbi, em Ponto Belo.
Segundo a Polícia Militar, o namorado da vítima, Rian Souza dos Santos, é suspeito de cometer o crime. Após o homicídio, ele teria roubado uma motocicleta para tentar fugir e atirado contra um carro. O suspeito acabou cercado em frente a um hospital do município.
De acordo com a Polícia Civil, Rian foi autuado em flagrante por feminicídio qualificado, dois roubos majorados pelo emprego de arma de fogo, tentativa de latrocínio e posse irregular de arma de fogo, todos em concurso material.
Ele permanece sob escolta policial no hospital e, após receber alta médica, será encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP).
Em Montanha, Janety Alves, de 40 anos, foi morta a tiros dentro de um apartamento no bairro Cypreste. Natural do município, ela já havia trabalhado como monitora de ônibus escolar e deixa três filhos.
Segundo a Polícia Civil, o namorado é o principal suspeito. O caso é investigado como feminicídio.
De acordo com o delegado Waldir Marins, titular da Delegacia de Ponto Belo e Montanha, Janety e o suspeito mantinham um relacionamento havia cerca de três meses.
Testemunhas contaram à Polícia Militar que ouviram uma discussão dentro do apartamento e, em seguida, uma mulher gritando por socorro. Logo depois, elas teriam escutado um estampido semelhante ao de um disparo de arma de fogo. Ainda segundo os relatos, duas pessoas deixaram o local em uma motocicleta após o crime.
Buscas foram realizadas na região, mas o suspeito não foi localizado. Ainda segundo o delegado, o homem já tinha registros relacionados à Lei Maria da Penha envolvendo a própria mãe.
Segundo dados do Observatório da Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp), 173 mulheres morreram vítimas de feminicídio no Estado entre janeiro de 2022 e setembro de 2026.
A Região Metropolitana da Grande Vitória concentra o maior número de registros, com 67 casos. Na sequência aparecem as regiões Noroeste, com 31; Sul, com 30; Norte, com 26; e Serrana, com 19.
Em relação ao vínculo entre vítima e autor, o companheiro aparece em primeiro lugar, com 56 casos, seguido por marido, com 43, e namorado, com 19. Também aparecem ex-companheiro (15), ex-marido (9) e ex-namorado (7), além de outras relações.
O levantamento da Sesp também mostra que a arma branca foi o meio utilizado em 48,55% dos feminicídios registrados no período. Outros meios correspondem a 28,32% dos casos, enquanto as armas de fogo foram utilizadas em 23,12%.
Em uma série de reportagem os 10 desafios do Espírito Santo, A Gazeta levantou que, de janeiro de 2022 a julho de 2026, 108.487 mulheres foram vítimas de crimes enquadrados na Lei Maria da Penha, como violência física, psicológica e sexual.
Os dados mostram ainda que a residência da vítima é o principal local de ocorrência desses crimes: foram registradas 74.372 ocorrências dentro de casa, o equivalente a 68% do total.
A análise do Instituto Sou da Paz, organização que atua na área de segurança pública e prevenção à violência, aponta a necessidade de canais de denúncia silenciosos e de mecanismos que garantam proteção rápida às vítimas, tanto dentro de casa quanto em espaços públicos.
Entre as estratégias defendidas pela organização estão a ampliação das delegacias especializadas e o fortalecimento do atendimento às mulheres durante 24 horas.
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