Aliados dizem que Alcolumbre não deve se manifestar sobre crise no STF, apesar da pressão bolsonarista

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – A cúpula do Senado tende a evitar uma resposta institucional à crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) enquanto a disputa eleitoral estiver em curso. A avaliação de aliados do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), é que qualquer movimento relacionado ao confronto deve ficar para depois da definição das urnas.

Segundo O Globo, integrantes do entorno de Alcolumbre interpretam as cobranças por uma reação do Senado como parte da pressão política característica do período eleitoral. O entendimento é que os resultados da eleição presidencial e das disputas para o Senado serão determinantes para estabelecer a nova correlação de forças e definir como a Casa lidará com a turbulência no Supremo.

A estratégia de cautela é mantida mesmo diante do aumento da pressão de parlamentares bolsonaristas. Durante as manifestações do Sete de Setembro, aliados do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL) voltaram a cobrar de Alcolumbre que coloque em pauta pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ampliou a ofensiva ao convocar seguidores nas redes sociais para uma manifestação em Macapá, reduto eleitoral de Alcolumbre. O ato está previsto para o próximo domingo (13) e leva a pressão política diretamente ao estado do presidente do Senado.

Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, também criticou Alcolumbre e acusou o presidente do Senado de tentar proteger Moraes.

“Ele (Alcolumbre) se equivocou. Queria proteger um amigo, em vez de proteger a instituição. Está perdendo uma grande oportunidade de resgatar a credibilidade não só do Senado, mas também de devolver o Supremo ao povo”, declarou Flávio Bolsonaro.

Embate no STF aumenta pressão sobre Senado

As cobranças sobre Alcolumbre ocorrem paralelamente ao agravamento do confronto no Supremo, especialmente entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Nesta terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A medida foi justificada pelo ministro como necessária para assegurar que integrantes da Corte, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da Polícia Federal “exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”.

A decisão foi revertida nesta quarta-feira (9) pelo ministro Flávio Dino, permitindo que Andrei Rodrigues permanecesse no comando da Polícia Federal.

O confronto entre Mendonça e Moraes já havia alcançado outro patamar na quinta-feirafda semana passada. Moraes apresentou um pedido para que o colega fosse investigado pelo que classificou como “indícios de crimes” relacionados à condução de inquéritos sob a relatoria de Mendonça.

Entre os procedimentos mencionados está o inquérito relacionado ao escândalo do Banco Master. No pedido, Moraes cita um relatório elaborado pela Polícia Federal.

A sucessão de decisões e acusações aprofundou a crise dentro do Supremo e alimentou as cobranças para que o Senado tome alguma iniciativa diante do conflito.

Alcolumbre espera resultado das urnas

Apesar da escalada da tensão, aliados do presidente do Senado consideram que antecipar uma resposta institucional significaria agir sem conhecer a composição política que sairá das eleições.

De acordo com a reportagem, um senador próximo a Alcolumbre avalia que o Senado não tem condições de articular uma reação enquanto permanecerem indefinidos tanto o resultado da eleição presidencial quanto a composição da próxima bancada de senadores.

O cálculo inclui a possibilidade de fortalecimento do bolsonarismo na Casa. Uma bancada maior de parlamentares alinhados ao grupo político poderia ampliar as cobranças por um enfrentamento com o Supremo e, principalmente, pela análise de pedidos de impeachment contra ministros da Corte.

Mesmo nessa hipótese, aliados de Alcolumbre avaliam que ainda haverá espaço para diálogo. O senador permanecerá no comando da Casa pelo menos até fevereiro de 2027 e deverá exercer papel relevante na relação entre Congresso e Supremo independentemente do resultado da eleição presidencial.

Há também, segundo a reportagem, a avaliação de que parte da retórica de enfrentamento utilizada durante a campanha poderá ser moderada depois das eleições.

Otto Alencar vê exploração eleitoral

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), também atribuiu as cobranças contra Alcolumbre à disputa eleitoral e minimizou seus possíveis efeitos sobre as decisões da Casa.

“Estão aproveitando o período eleitoral para ter ganhos políticos em cima desse momento. Vi por exemplo o senador Carlos Viana pedir o impeachment do Davi, como se o Davi tivesse cometido algum crime. No período eleitoral surgem casos de salvador da pátria”, declarou Otto.

Fonte: Brasil 247

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