Abaixo à judicialização da greve de bancários da Caixa! Cercar a luta de solidariedade ativa!

0

Por Redação — Esquerda Diário

cacasds.jpg?1790280124

A Caixa Econômica Federal acionou nesta quinta-feira (24) o Tribunal Superior do Trabalho (TST), protocolando um dissídio coletivo diante da greve nacional de seus trabalhadores, iniciada em 10 de setembro. Trata-se de uma medida reacionária para judicializar a forte luta dos bancários da Caixa, atacando o direito de greve da categoria. Contra a judicialização, é preciso cercar a greve de solidariedade!

A medida da Caixa foi tomada depois de uma audiência de mediação realizada na quarta-feira (23) terminar sem acordo. A Caixa afirma que buscou uma saída negociada e que recorreu ao Tribunal para obter “segurança jurídica e previsibilidade”.

No centro da luta dos bancários está o enfrentamento ao ataque ao Saúde Caixa: a proposta apresentada pelo banco altera custos suportados pelos trabalhadores e seus dependentes, incluindo aumento da coparticipação em pronto-atendimento, enquanto a categoria reivindica condições de custeio que não transfiram novas despesas aos empregados. A medida da empresa representa um duro ataque aos salários da categoria.

A judicialização ocorre depois de uma demonstração contundente da disposição de luta dos trabalhadores. Na última segunda-feira (21), bancários da Caixa rejeitaram em assembleias a terceira proposta apresentada pelo banco e decidiram manter a greve nacional por tempo indeterminado. Na base de São Paulo, Osasco e região, 59,3% votaram contra a proposta. A judicialização é uma ameaça e uma chantagem absurda, que viola o direito de greve, e demonstra o medo da Caixa com a força da luta dos bancários.

Ao levar o conflito ao TST, a direção da Caixa se apoia no Judiciário que, como o país todo está assistindo, é uma instituição que serve aos interesses dos banqueiros, não só de Daniel Vorcaro e o Master, mas principalmente aos grandes bancos nacionais e imperialistas que mandam na economia do país.

A greve dos bancários, assim como a dos ecetistas dos Correios, enfrenta não só um ataque aos seus direitos, mas uma política mais ampla de ajuste fiscal. O arcabouço fiscal estabelece limites para o crescimento das despesas públicas e, em 2026, já produziu bloqueios orçamentários para adequar os gastos aos seus limites e às metas fiscais. Enquanto isso, os juros nominais pagos pelo setor público alcançaram R$ 1,111 trilhão nos doze meses encerrados em maio, segundo o Banco Central. O ataque aos salários do funcionalismo tem como objetivo aumentar os lucros das empresas para que o Estado pague cada vez mais a dívida pública e aumenta os lucros do capital financeiro, já que são grandes bancos imperialistas e nacionais que controlam a venda de ativos da dívida pública brasileira. É contra essa lógica de ajuste, mantida pelo governo Lula, que a defesa do Saúde Caixa se levanta.

Contra a absurda judicialização, os sindicatos, movimentos sociais, organizações estudantis e demais categorias precisam mais do que nunca cercar de solidariedade ativa a greve dos bancários da Caixa, assim como a greve dos trabalhadores dos Correios. Nos Correios, a judicialização já avançou: o TST determinou a manutenção de 80% do efetivo e analisa um dissídio no qual a empresa pede que a paralisação seja considerada abusiva.

Essas greves colocam em cena a força independente da classe trabalhadora para enfrentar os ataques aos salários, à saúde e às condições de trabalho, enfrentando o ajuste neoliberal. Mostram o caminho para enfrentar a extrema direita e o imperialismo que defendem aprofundar ainda mais os ajustes, colocando a força da mobilização e os métodos de luta da nossa classe como a verdadeira ferramenta desse combate. Enfrentando os ataques aplicados pelo governo Lula, que fortalecem essa extrema-direita e sua política anti-operária, é fundamental aprofundar a unificação das greves da Caixa e dos Correios para barrar também o ataque ao direito de greve dos trabalhadores por parte do Judiciário representante dessa República de Banqueiros.

Fonte: Esquerda Diário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *