A força da mulher na política pode mudar o mundo
Por Redação — Jornal Opção

Elìna Borges
Especial para o Jornal Opção
As pessoas estão descrentes com a política. Especialmente as mulheres. Parecem não ter motivos, causas, objetivos claros para se envolverem com ela. Comportam-se como seres apolíticos. Agem como se muitas promessas feitas por elas mesmas e por outras pessoas não tivessem sido cumpridas.
Será isso um reflexo da prática política atual? Das histórias sequenciais de corrupção? Do egocentrismo do século 21? Parece-me que as mulheres esqueceram-se da importância da política. Esqueceram? A sua participação sempre foi muito tímida. Na verdade, nem existe uma real cultura de participação política da mulher de forma efetiva. Foram tantos fronts de batalha no último século e no início do século XXI que a política ficou relegada a segundo plano.
Chegará o dia em que o homem reconhecerá a mulher como sua igual na administração. Nascerá o perfeito companheirismo e a união ideal entre os sexos, que resultarão no mais alto desenvolvimento da raça humana — B. Anthony
As mulheres perderam a crença nas ações coletivas? Perderam a coragem? Qual é a missão do “ser mulher”? As mulheres, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) representam 42% da mão de obra do mundo, são mais escolarizadas que os homens; no entanto, participam com apenas aproximadamente 38% dos cargos de gerência, 30% dos cargos de diretoria executiva, 6% dos cargos de CEO, de 17% a 25% dos maiores salários (dependendo do país), e possuem uma participação política de apenas 27% nos diversos cargos parlamentares ao redor do mundo (dependendo do cargo e do país).

É preciso rever tudo isso. É preciso, antes de tudo, coragem para manter a essência da verdade, aquela voz que ressoa dentro de cada mulher, lembrando- as dos seus compromissos mais profundos com a política, ou seja, com todos os seres humanos. Vivemos em uma época em que a política, na sua mais profunda acepção, e a influência feminina não são apenas necessárias — são indispensáveis.
As mulheres são exímias em política. Só que ainda não sabem. Mas em breve promoverão a maior revolução do século 21. É o reconhecimento das bênçãos que a verdadeira política oferece para o povo, que nos faz refletir sobre um novo modelo
O equilíbrio do homem e da mulher não perpassa apenas pelas oportunidades iguais na educação, no mercado de trabalho, mas também pelo equilíbrio nas suas participações políticas. “Chegará o dia em que o homem reconhecerá a mulher como sua igual não apenas ao pé da lareira, como também na administração do país. Nesse momento e não antes, nascerá o perfeito companheirismo e a união ideal entre os sexos, que resultarão no mais alto desenvolvimento da raça humana”, já dizia Susan B. Anthony no século 19.
É a política que nos faz mais fortes, que nos aproxima como cidadãos, que nos impulsiona para o resgate da nossa verdadeira essência, que nos transforma em “irmãos”, que nos faz agir, que nos faz buscar a igualdade, a solidariedade e o bem coletivo, enfim.
Aristóteles era a favor da vida política, da vida ativa, acreditava ser ela o meio de alcançar a felicidade. Ele dizia que “todos aspiram viver bem e à felicidade”.
Essa visão — os valores — de mundo é peculiar nas mulheres. Portanto, elas são exímias em política. Não sabem, ainda. Mas em breve promoverão a maior revolução do século 21. É o reconhecimento das bênçãos que a verdadeira política oferece para o povo, que nos faz refletir sobre um novo modelo que seja capaz de escavar e construir, em bases sólidas, um novo sistema político, onde a coragem, a verdade, os valores seculares, a igualdade, a autenticidade, e o bem coletivo sejam o sol, o farol, a bússola que conduzirá os humanos para uma nova vida. Esse sentido de missão, de sonhar e mudar a realidade, de ter alma de político, de pensar no individual e no coletivo é que nos salvará e nos unirá como povo.
Elìna Borges é mestre em Engenharia da Produção, especialista em Gestão Estratégica de Marketing, administradora, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, psicóloga, psicanalista, escritora. Acadêmica da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás e acadêmica da Academia Goianiense de Letras.
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Fonte: Jornal Opção