A eleição para governador do ES pode ser definida no domingo, no 1º turno?

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Publicado em 02 de Outubro de 2026 às 10:36

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Possível, é. Embora bem pouco provável, não é de todo
impossível uma definição já no próximo domingo, em primeiro turno, da disputa
para governador do Espírito Santo – a favor de Ricardo Ferraço (MDB) ou de
Lorenzo Pazolini (Rep). Ainda que as probabilidades de segundo turno entre os
dois sejam bem maiores, com base na última pesquisa Quaest para a Rede Gazeta,
divulgada na última sexta-feira (25), essa é, matematicamente, uma hipótese viável.

Na última Quaest, Ricardo e Pazolini empataram tecnicamente
na liderança. Na intenção estimulada de voto, os resultados foram os seguintes:

. Ricardo Ferraço: 33%

. Lorenzo Pazolini: 31%

. Helder Salomão: 12%

. Brancos e nulos: 11%

. Indecisos: 11%

. Outros: 2%

É sempre bom reforçar duas regras do nosso sistema
eleitoral. Em primeiro lugar, para um candidato a governador se eleger em turno
único, ele precisa atingir 50% dos votos válidos mais um (ou seja, alcançar a
maioria simples dos votos válidos). 

Em segundo lugar, “votos válidos” são
aqueles dados aos candidatos que disputam o cargo. Para efeito de contagem,
apuração e declaração dos resultados oficiais, a Justiça Eleitoral desconsidera
os votos brancos e nulos.

Assim, descartando os votos brancos, nulos e os indecisos,
podemos fazer uma nova conta, convertendo as intenções de voto acima em votos
válidos. Foi o que fizemos. Eis os resultados:

. Ricardo: 42,3%

. Pazolini: 39,7%

. Helder: 15,3%

. Outros: 2,5%

Logicamente, como o campo da Quaest (com 804 entrevistas feitas
pessoalmente) foi realizado na semana passada, esse já não é o “retrato do
momento”. Nos últimos sete dias, o quadro já pode inclusive ter sofrido
alterações. Na última terça-feira (29), por exemplo, houve o debate final da TV
Gazeta, com ampla audiência. Mas é o retrato mais recente que temos.

Nesse caso, notem bem: com base nos números acima, Ricardo
estaria a apenas 7,7 pontos de uma hipotética vitória no primeiro turno; Pazolini,
a cerca de 10 pontos. Não é uma “meta inalcançável”. Improvável? Sim.
Impossível? Não.

Porém, para a concretização dessa hipótese, tanto para um
quanto para o outro, seria necessária uma combinação de fatores. O primeiro
deles: combinar com Helder.

Eventual definição no primeiro turno dependeria, em primeiro
lugar, de uma grande desidratação do candidato do PT nesta reta final de
campanha. Hoje (sexta-feira, 2 de outubro), não temos nem um só elemento que aponte nessa direção.

Aliás, pode se dar o contrário: detentor de 15,3% dos votos
válidos na última Quaest, o deputado pode inclusive já ter crescido desde então
e crescer ainda mais até domingo (ele foi muito bem, por exemplo, no debate da
TV Gazeta).

Convicto de que irá para o segundo turno, Helder tem
repetido isso, e sua campanha tem investido na estratégia de buscar  dar um sprint  nestes
últimos dias,  “virando
votos” principalmente de Ricardo: votos de muitos eleitores de esquerda, inclusive
simpatizantes do presidente Lula (PT), que, até a última Quaest, estavam indo para o
colo de Ricardo. Como o levantamento demonstrou, Helder estava perdendo para o
governador até nesses segmentos do eleitorado capixaba, incluindo eleitores declaradamente lulistas. 

Nos últimos dias, o slogan
da campanha do deputado petista passou a ser “Voto útil é votar em Helder
Salomão”. Isso tanto nas redes sociais como nas considerações finais do
candidato no debate da TV Gazeta.

Enquanto isso, a campanha de Ricardo tem buscado gerar
justamente o efeito contrário. Para o atual governador conseguir a reeleição em
primeiro turno, além de crescer sobre eleitores indecisos, ele precisaria
receber uma tempestade de  “ votos úteis ”  da centro-esquerda para a esquerda, no
domingo.  

Já no caso de Pazolini, para ele atingir a mesma meta, além
de conquistar os votos de uma boa parcela de indecisos, seria necessário virar
votos de governador e receber uma enxurrada do voto de direita que hoje está
com Ricardo ou dos bolsonaristas eventualmente ainda “escondidos”.

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Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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