Capixaba Higor Campagnaro estreia filme no Festival do Rio ao lado de Isabel Teixeira

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Publicado em 02 de Outubro de 2026 às 10:39

Aline Almeida

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O ator capixaba Higor Campagnaro, natural de Aracruz, chega ao Festival do Rio com um novo trabalho no cinema. Ele integra o elenco de “Diário do Fogo”, longa dirigido por Maju de Paiva e Bernardo Florim, que será exibido no festival a partir de 3 de outubro. No filme, Higor contracena com Isabel Teixeira e interpreta Souza, um vigilante solitário que se envolve na história de Graça, personagem vivida pela atriz.

Na trama, Graça deixa o apartamento onde mora depois de ter um sonho e passa a enfrentar uma série de situações que a colocam em risco. Souza, que trabalha como vigia na região, decide ajudá-la e protegê-la, aproximando-se também da filha dela.

Souza é um vigia solitário que tem poucos amigos, mas, por conta das perseguições que Graça sofre, acaba se conectando a ela e à sua filha para protegê-las de quem as persegue

Explica Higor

As filmagens aconteceram em 2025 e marcaram o encontro do ator com nomes do cinema, do teatro e da televisão brasileira. Entre eles, Isabel Teixeira, com quem divide boa parte das cenas.

“A Isabel é uma das maiores atrizes do Brasil, uma das maiores da sua geração, ela é muito completa e com muitos recursos. Foi uma honra, e eu já a tinha assistido no teatro, então fico honrado e feliz de trabalhar com ela”, afirma.

Segundo Higor, o ambiente criado pelos diretores também contribuiu para o processo de filmagem. “A Maju e o Bernardo, que além de diretores, são os roteiristas da história, instauraram um clima muito agradável para que o trabalho pudesse acontecer”, conta.

O elenco ainda reúne Ranieri Gonzalez, Dani Barros, Cátia Costa, Juliana Veloso e André Arteche. O filme parte do encontro entre personagens marcados pela solidão e pela necessidade de resistência para abordar questões sociais.

Nascido no Espírito Santo, Higor escolheu o Rio de Janeiro como cidade para desenvolver a carreira e vive na capital fluminense desde 2011. A estreia de “Diário do Fogo” no Festival do Rio, portanto, terá um significado especial para o ator.

Sou natural de Aracruz. Escolhi o Rio como lugar para seguir minha carreira e viver com a minha companheira. Toda a minha família ainda mora no Espírito Santo

Segundo ele, a expectativa para a estreia é a melhor possível. “Eu tenho muito carinho pelo Festival do Rio porque é o festival da cidade onde eu escolhi morar, então é muito agradável mostrar o filme em casa”, afirmou.

Em 2026, Higor também celebra duas décadas de carreira. Ao longo desse período, acumulou trabalhos no cinema, na televisão e no teatro. Entre os destaques está “Um Animal Amarelo”, de Felipe Bragança, pelo qual recebeu menção honrosa de Melhor Ator no Festival de Gramado.

O currículo ainda inclui trabalhos em “Os Últimos Dias de Gilda”, exibido no Festival de Berlim, além dos longas “Os Primeiros Soldados”, “Doutor Gama”, “Fúria”, de Ruy Guerra, e “O Mensageiro”, de Lúcia Murat.

Na televisão, um dos trabalhos mais recentes do ator foi no remake de “Vale Tudo”, exibido em 2025. Higor interpretou Marcondes, piloto do avião particular de Marco Aurélio, personagem de Alexandre Nero.

A participação teve um significado especial para o ator por causa da relação que mantém com a novela original.

“Foi uma experiência incrível, pois me conectou diretamente com a memória afetiva de infância. Quando criança, assistia à novela e no dia seguinte brincava com meus primos de refazer as cenas. Então, quando aconteceu o convite para fazer essa participação, vibrei muito”, relembra.

Na nova versão da trama, Marcondes aparece no início da história e acaba envolvido em uma situação de mistério após dar carona a César Ribeiro, interpretado por Cauã Reymond. Uma mala com dinheiro desaparece depois do voo.

Além do cinema, Higor também retorna aos palcos com “O Extermínio da Cegonha”, espetáculo idealizado e dirigido por Pedro Uchoa. A peça terá nova temporada no Teatro Sérgio Porto, no Humaitá, no Rio de Janeiro, de 23 de outubro a 15 de novembro.

Protagonizada por Higor, a montagem utiliza elementos das tragédias gregas para falar sobre hiperconexão, redes sociais e solidão contemporânea.

Na história, ele interpreta Samuel, um homem comum que, sozinho em casa na véspera de um feriado, decide acessar uma rede social e reencontra virtualmente a namorada da adolescência.

“Eu faço um torcedor do Fluminense que, em uma noite sozinho em casa na véspera de feriado, resolve dar uma olhada na rede social e encontra a namorada da adolescência. A partir daí, tudo se desenvolve”, conta.

Para Higor, o contraste entre a estrutura clássica da tragédia e elementos do cotidiano atual é um dos pontos centrais do espetáculo.

“Ela tem esses pontos marcados: um coro no início, o ‘herói’ falando da sua trajetória, uma grande revelação. Mas com a diferença disso tudo acontecendo agora, com smartphones muito competentes, carros automáticos e a gente cada vez mais desconectado um do outro”, explica.

Na peça, o Instagram funciona como uma espécie de oráculo e serve como ponto de partida para os conflitos.

“A história que abordamos é muito contemporânea, mas está calçada na tragédia grega. O que dispara os conflitos é o Instagram, que na peça age como um oráculo. Para além das questões dos personagens, o espetáculo expõe essa nossa relação com a internet e como nós éramos antes da chegada dessas ferramentas”, reflete.

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