Eliana Pittman volta ao Recife com show dedicado a Jorge Aragão e sucessos da carreira
Por Fátima Pereira — Brasil de Fato
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A cantora Eliana Pittman se apresenta nesta sexta-feira (16), às 20 horas, no Teatro do Parque, no Recife, com o espetáculo “Eliana Pittman canta Jorge Aragão e Grandes Sucessos”. Aos 80 anos e com mais de seis décadas de trajetória artística, a intérprete sobe ao palco para homenagear um dos nomes importantes do samba brasileiro e revisitar canções que marcaram sua carreira.
O repertório reúne composições de Jorge Aragão e músicas que acompanham a trajetória da artista, como “Das Duzentas para Lá”, “Abandono”, “Vou Pular Neste Carnaval”, “Quem Vai Querer”, “Sinhá Pureza”, “Mistura de Carimbó” e “Esse Mar É Meu”, de João Nogueira.
Sobre a homenagem ao sambista, Eliana destaca a importância de sua obra para a música brasileira. “Jorge Aragão é um compositor que admiro muito. Cantar suas músicas é também uma maneira de homenagear o samba e toda uma geração que fez essa música chegar tão longe”, afirma.
A apresentação também marca o reencontro da cantora com uma cidade que ocupa um lugar especial em sua história pessoal e profissional. A relação com o Recife começou no início da década de 1960, quando Eliana realizou sua primeira gravação, em 1961, no estúdio da Mocambo, acompanhada pelo pai, o saxofonista Booker Pittman.
Anos depois, em 1967, a artista passou a viajar semanalmente do Rio de Janeiro para apresentar um programa ao vivo na TV Jornal do Commercio. A rotina de deslocamentos marcou sua ligação com a capital pernambucana, onde conquistou experiências importantes para sua carreira.
“Eu era apaixonada por esse programa que fazia no Recife. Podia estar em qualquer lugar do Brasil e pegava um avião para chegar a tempo de chegar no Recife”, relembra.
Foi também na cidade que Eliana conheceu o cantor e compositor Geraldo Azevedo, quando ele ainda era um jovem violonista que se apresentava em bares do bairro da Boa Vista. Impressionada com o talento do músico, ela o convidou para acompanhá-la no Rio de Janeiro.
O encontro teve desdobramentos importantes para a música brasileira. Em 1968, Eliana incluiu no álbum Ao Vivo a canção “Aquela Rosa”, primeira composição de Geraldo Azevedo, feita em parceria com Carlos Fernando.
A cantora conta que chegou a enviar uma passagem para que o compositor viajasse ao Rio, embora mal se lembrasse de sua aparência. Os dois haviam se encontrado rapidamente em um bar escuro e barulhento no Centro do Recife.
“Eu disse que se chegar um cara magrinho, com um violão debaixo do braço, seria ele. Aí chega aquele rapaz, muito magrinho, com um violão e uma sacola com roupas. O rapaz do violão era Geraldo Azevedo.”
A lembrança evidencia como a capital pernambucana participou de momentos decisivos de sua trajetória. Mais de 60 anos depois, o retorno à cidade reúne música, memória e reencontros com um público que acompanha parte dessa história.
Com mais de 20 discos lançados e passagens por palcos internacionais, como o Olympia, em Paris, Eliana Pittman mantém uma trajetória marcada pela diversidade musical e pela presença nos palcos.
Entre seus trabalhos mais recentes estão Hoje, Ontem e Sempre, de 2019, e As Divas do Sambalanço, projeto realizado ao lado de Claudette Soares e Doris Monteiro. Em 2025, lançou Nem Lágrima Nem Dor, dedicado à obra de Jorge Aragão e que serve de ponto de partida para o espetáculo apresentado no Recife.
Aos 80 anos, a cantora retorna à capital pernambucana para celebrar o samba e revisitar diferentes momentos de sua carreira, em uma apresentação que conecta sua produção atual às memórias construídas na cidade.
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Fonte: Brasil de Fato