Saiba quem é a porta-voz de Trump que durou apenas cinco dias no cargo
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – A secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, deixou o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (16), apenas cinco dias depois de assumir o posto. Sua passagem pela função terminou em meio a questionamentos sobre suas qualificações profissionais, críticas ao desempenho diante dos jornalistas e uma gafe na qual confundiu o chefe do Executivo com o próprio marido. A ex-porta-voz também reconheceu que não conseguiu aprovação no exame necessário para exercer a advocacia nos Estados Unidos, embora tenha se apresentado publicamente como advogada.
Segundo informações do G1, a saída ocorreu após uma sequência de episódios que colocaram Zacharia sob escrutínio da imprensa americana. A ex-comentarista da Fox News havia substituído Karoline Leavitt, que deixou a função para se dedicar à família. A passagem de Zacharia pelo cargo começou oficialmente na segunda-feira (12), e sua primeira coletiva aconteceu no dia seguinte. A imprensa americana também confirmou o desligamento, mas a Casa Branca não apresentou uma justificativa única para a decisão.
A controvérsia de maior repercussão envolveu sua formação jurídica. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou Zacharia como advogada ao anunciar sua escolha para comandar a comunicação da Casa Branca. A própria porta-voz utilizava essa identificação em apresentações públicas e participações em programas de televisão.
Jornalistas americanos passaram a investigar suas credenciais e descobriram que não havia registros de aprovação no exame de admissão à advocacia em jurisdições dos EUA. A apuração provocou questionamentos sobre a maneira como Zacharia descrevia sua experiência profissional.
Na quinta-feira (15), durante uma entrevista ao programa do apresentador Sean Hannity, na Fox News, a então secretária reconheceu que não havia conseguido aprovação na prova.
O jornalista perguntou: “A senhora fez o exame da ordem, mas não foi aprovada, correto?”. A resposta de Zacharia foi direta: “Sim”.
A ex-porta-voz também confirmou que não voltou a prestar o exame depois da primeira tentativa. A declaração encerrou as dúvidas sobre sua aprovação, mas ampliou o debate em torno da utilização do título profissional.
Formação em Direito e questionamentos sobre a carreira
A ex-secretária concluiu sua formação em Direito na Universidade Pepperdine, na Califórnia, em 2011. Nos Estados Unidos, a conclusão do curso não garante automaticamente autorização para exercer a advocacia. Os profissionais precisam cumprir as exigências de admissão estabelecidas pelas autoridades competentes.
Após a graduação, Zacharia mudou-se para a China, onde viveu entre 2011 e 2013, acompanhando o marido, que havia recebido uma transferência profissional.
Durante esse período, trabalhou em um escritório de advocacia em Pequim e posteriormente passou a mencionar essa experiência em seu currículo.
Ao comentar a reprovação, a ex-porta-voz argumentou que a mudança para a China havia reduzido a importância do resultado do exame naquele momento. Ela também afirmou ter recebido orientações de profissionais da área jurídica segundo as quais poderia utilizar o título de advogada em razão de sua formação acadêmica e da experiência internacional.
Especialistas ouvidos pela imprensa dos EUA questionaram essa interpretação e distinguiram a obtenção do diploma de Direito da autorização formal para exercer a profissão.
A organização Campaign for Accountability, dedicada à fiscalização da ética na política, pediu na quarta-feira (14) que a Ordem dos Advogados da Califórnia investigasse a situação.
“Na Califórnia, intitular-se advogado sem licença não é um exagero; é crime”, afirmou a organização em um comunicado à imprensa.
O pedido de investigação não significa que uma autoridade tenha concluído que Zacharia cometeu alguma infração. A controvérsia envolve a forma como ela apresentou suas qualificações e a legislação aplicável ao uso de títulos profissionais.
Confusão entre Trump e o marido marcou a primeira coletiva
Além das dúvidas sobre seu currículo, a então secretária enfrentou críticas por seu desempenho na primeira entrevista coletiva como representante da Casa Branca, realizada na terça-feira (13).
Durante a apresentação, a porta-voz respondeu a uma pergunta sobre a família e acabou trocando a referência ao marido pelo título de Trump.
“Eu adoro minha família, amo meus filhos, eles são minha prioridade, amo estar com eles. A ideia de não passar as noites com meus filhos é completamente inaceitável. Então, meu presidente, ops, desculpe, meu marido… essa foi boa… Meu marido está aqui [em Washington D.C.] nesta semana”, afirmou Zacharia.
A confusão provocou risadas entre os presentes. A porta-voz percebeu o erro, corrigiu a frase e continuou sua resposta. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e se somou às críticas sobre a condução da entrevista.
Zacharia respondeu a perguntas de apenas três jornalistas e encerrou o encontro em menos de 15 minutos. Em uma das respostas, não conseguiu esclarecer o questionamento apresentado pela imprensa.
Analistas e comentaristas americanos criticaram a duração da coletiva e a dificuldade da porta-voz em lidar com as perguntas.
Em entrevistas posteriores, a então secretária procurou justificar seu desempenho. Ela afirmou que recebeu pouco tempo para se preparar antes da apresentação e explicou que pretendia realizar um encontro breve com os jornalistas.
A porta-voz também argumentou que o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, costuma falar diretamente com a imprensa e que desejava preservar espaço para essas interações.
O presidente chegou a defender publicamente o desempenho de Zacharia após a coletiva, apesar das críticas que surgiram nos meios de comunicação estadunidense.
Quem é Katie Zacharia
Antes de assumir a secretaria de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia construiu parte de sua trajetória profissional na comunicação política e em organizações ligadas ao campo conservador dos EUA.
Casada e mãe de quatro filhos, trabalhou como porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) entre fevereiro e abril de 2026.
A ex-secretária também participou regularmente de programas da Fox News e da Newsmax, emissoras que dedicam espaço à cobertura da política americana e aos debates entre representantes do Partido Republicano.
Sua atuação incluiu colaborações com o Trump Media & Technology Group, grupo empresarial ligado ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à plataforma de mídia social Truth Social.
A ex-porta-voz também integrou a Fix California, organização conservadora fundada por Richard Grenell, aliado político de Trump.
Antes dessas atividades, Zacharia havia realizado um estágio na Casa Branca durante o governo do republicano George W. Bush, que presidiu os Estados Unidos entre 2001 e 2009.
A experiência em comunicação, as participações na televisão e os vínculos com organizações conservadoras integravam o histórico profissional que antecedeu sua nomeação para representar oficialmente o governo americano.
Saída amplia mudanças na comunicação da Casa Branca
A nomeação de Zacharia ocorreu depois que Karoline Leavitt, integrante da equipe de comunicação do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou sua decisão de deixar o cargo para dedicar mais tempo à família.
Com a substituição, Zacharia assumiu a responsabilidade de conduzir entrevistas coletivas e apresentar publicamente as posições do governo diante dos jornalistas que acompanham a Presidência americana.
Sua permanência terminou antes de completar uma semana, após a repercussão dos questionamentos profissionais e das críticas à primeira coletiva.
A imprensa americana informou que Trump chegou a aconselhar Zacharia a reconsiderar sua permanência diante da pressão associada ao trabalho. O presidente também manifestou solidariedade à porta-voz em meio às reportagens sobre suas credenciais jurídicas.
O desligamento encerrou uma das passagens mais curtas pela secretaria de imprensa da Casa Branca. Zacharia deixou a função cinco dias depois de assumir o posto, em meio às dúvidas sobre sua habilitação profissional e ao desgaste provocado por sua atuação diante dos jornalistas.
Fonte: Brasil 247