MPF cobra universidades do Rio após ameaças de violência contra estudantes em grupos bolsonaristas
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro, adotou medidas urgentes contra graves ameaças e intimidações dirigidas a estudantes e professores de instituições públicas de ensino no estado após mobilizações políticas acadêmicas, informa o Metrópoles.
Em despacho assinado na quarta-feira (14), o procurador da República Julio José Araujo Junior cobrou oficialmente posições das universidades e institutos federais fluminenses. O procurador questionou quais providências estão sendo tomadas para assegurar a liberdade de expressão, a segurança da comunidade acadêmica e o pleno direito à realização de manifestações políticas ao longo do período eleitoral.
O documento assinala uma denúncia formal apresentada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). O primeiro caso detalhado pelo Andes expõe ameaças ocorridas no âmbito da Universidade Federal Fluminense (UFF), organizadas em resposta à mobilização dos estudantes após o resultado do primeiro turno das eleições.
“O sindicato anexou capturas de tela de grupo do WhatsApp intitulado ‘Juntos com Bolsonaro’ contendo mensagens como ‘vamos tacar fogo na UFF’, ‘manifestação em frente a uff hoje 19h vamos bater nos petista de Tel Aviv’”, destacou o procurador no despacho.
Outro episódio alarmante levado ao MPF pelo Andes aponta ataques diretos ao Diretório Central dos Estudantes Mário Prata, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em capturas de tela extraídas do mesmo grupo de mensagens, os integrantes incitavam atos de violência física: “vamos infiltrados e esfaquear o líder da baderna”, afirmavam em referência clara a um ato público organizado pelo DCE.
A violência política também alcançou o interior do estado. O Andes citou que, no dia 8 de outubro, durante um ato em defesa da democracia promovido por alunos no campus de Angra dos Reis, um homem conduziu um carro adesivado com propaganda da campanha de Flávio Bolsonaro para dentro das dependências da instituição, passando a agir de forma ostensiva e “agressivo com os estudantes e a ameaçar o corpo discente”.
Diante da escalada das hostilidades, o MPF alertou para o perigo iminente no ambiente acadêmico. “Diante da gravidade dos relatos e do risco de que, com a aproximação do pleito eleitoral e a continuidade de manifestações e atos propostos por estudantes, outros episódios violentos venham a ocorrer, o MPF considera que as instituições de ensino devem tomar medidas preventivas e repressivas aos ataques à liberdade de expressão”, manifestou Araujo Junior.
A onda de intimidações também motivou providências no Sul do país. No Rio Grande do Sul, o MPF instaurou um procedimento de acompanhamento após receber representação sobre a circulação de “material intimidatório e de potencial ameaça a estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), especialmente aqueles que organizam assembleias e mobilizações acadêmicas de natureza política”.
O procurador regional dos Direitos do Cidadão Enrico Rodrigues de Freitas, responsável pelas apurações em solo gaúcho, fixou o prazo urgente de três dias úteis para que os reitores de todas as universidades e institutos federais do estado respondam aos ofícios enviados. O objetivo do procedimento é mapear os casos em todas as instituições de ensino gaúchas e checar a existência de padrões de atuação articulada voltados a intimidar a comunidade universitária e restringir a livre manifestação do pensamento.
Fonte: Brasil 247