Trump diz acompanhar ‘de perto’ a eleição no Brasil
Por Leonardo Miazzo — Carta Capital
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A declaração ocorre em meio à interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira 1º acompanhar “de perto” as eleições no Brasil, marcadas para o próximo domingo 4. A jornalistas na Casa Branca, o republicano disse que “as pessoas do Brasil são fantásticas” e que o pleito “é muito importante”.
A declaração ocorre em meio à interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro, desde a aplicação do primeiro tarifaço — em julho de 2025 — para tentar evitar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por liderar a tentativa de golpe de Estado.
Em 22 de setembro, Trump usou a Assembleia-Geral da ONU para, entre outros arroubos, ameaçar diretamente a América Latina. “Os EUA não vão mais permitir que as ameaças contra a América Latina ganhem terreno em nenhum lugar do hemisfério ocidental”, disparou. “E, se necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual.”
Segundo o ex-embaixador do Brasil em Washington Roberto Abdenur em recente entrevista a CartaCapital, trata-se da “Doutrina Donroe”, uma grosseira atualização da Doutrina Monroe, de 1823, que originalmente firmava a oposição de Washington a eventuais intervenções europeias no continente americano. Foi, de início, uma declaração simbólica, mas tudo mudou décadas depois com o uso do documento para sustentar uma política imperialista.
“A atual doutrina de segurança nacional aponta as Américas como área prioritária para a segurança nacional dos EUA. Mas não há perigos sérios provenientes da região”, criticou Abdenur. “Trump destruiu a ordem política e econômica que prevaleceu durante 80 anos para criar uma situação de caos em que pode usar abusivamente do poder americano.”
Além disso, a três dias do primeiro turno da eleição, o jornal britânico The Guardian revelou que o governo Trump destinou 1 milhão de dólares para financiar organizações brasileiras que contestam o Supremo Tribunal Federal. A verba integra o chamado “Fundo de Direitos Humanos e Democracia” do Departamento de Estado norte-americano, cujo foco passou a incluir pautas conservadoras e o combate a uma suposta censura no Brasil.
Leonardo Miazzo
Editor de CartaCapital
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Fonte: Carta Capital