Os FIDCs chegaram ao investidor comum: mercado de R$ 1 trilhão quer disputar espaço na carteira de renda fixa

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Por Monique Lima — Seu Dinheiro

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Antes restritos aos investidores profissionais e institucionais, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão em outro momento agora: despertar a atenção da pessoa física.

A mudança ocorre em meio à modernização das regras do setor e ao crescimento de uma indústria que atingiu a marca de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido neste ano.

Em participação no TAG Summit nesta terça-feira (29), um evento da gestora de recursos em parceria com o Market Makers, Eugênia Souza, sócia e head de negócios da Vórtx, afirma que essa indústria está pronta para a chegada dos investidores de varejo.

Segundo ela, a Resolução CVM 175, que abriu os FIDCs para os investidores pessoa física, respeitando algumas regras específicas, é a prova de que esse instrumento atingiu um nível de maturidade que corresponde à segurança que os ativos para público geral devem ter.

“Tem pelo menos seis participantes de mercado no processo para colocar um FIDC no ar”, afirmou a executiva. “Cada um tem seu papel para trazer transparência e oferecer a garantia de risco e retorno esperado para o produto.”

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Afinal, o que é um FIDC?

Um FIDC é um fundo que compra direitos creditórios, ou seja, valores que empresas têm a receber no futuro.

Podem ser parcelas de financiamentos, duplicatas comerciais, recebíveis de cartão de crédito, mensalidades, créditos do agronegócio e diversas outras modalidades. Geralmente, os FIDCs compram carteiras inteiras de pagamentos futuros de diferentes empresas.

A principal diferença em relação a outros investimentos de crédito é que o investidor não compra um título específico. Ele investe em um veículo que reúne dezenas de carteiras de recebíveis diferentes.

Segundo Souza, essa estrutura permite uma diversificação difícil de obter por meio de aplicações tradicionais de renda fixa.

Outro aspecto que difere os FIDCs de outros investimentos de crédito é a fonte de risco.

CDBs, debêntures e outros títulos de crédito privado têm como principal risco o seu emissor. Ou seja, o banco ou empresa que emitiu a dívida.

No caso dos FIDCs, como o fundo comprou a carteira de recebíveis, o risco sai do emissor e passa a ser dos devedores — de quem irá pagar as parcelas vincendas.

Por exemplo, recebíveis de crédito consignado, que têm o desconto direto na folha de pagamento. Isso significa que são menos arriscados do que os de cartão de crédito, que dependem de o devedor ter dinheiro e se dispor a pagar.

São nuances assim que permitem a diversificação e uma precificação de risco e retorno diferenciada para os FIDCs.

Aposta na governança

Um dos principais argumentos usados pelo mercado para atrair investidores de varejo é justamente a estrutura de controles que cerca os FIDCs.

Souza destaca que, além do gestor responsável pela seleção dos créditos, participam da operação administradores fiduciários, custodiantes, distribuidores, auditorias independentes e, em alguns casos, agências de classificação de risco.

A própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reforçou os requisitos de transparência e divulgação de informações na Resolução 175, que criou regras específicas para os FIDCs.

Entretanto, isso não isenta o investidor de buscar informações sobre o fundo que pretende investir.

No painel na TAG Summit, Souza afirmou que, ao considerar a possibilidade de investir em FIDCs, o investidor deve olhar para toda a operação.

Segundo a executiva, a pessoa física deve conseguir responder quais são os créditos que estão dentro da carteira, quem são os devedores, quais os possíveis problemas que podem dar e a quem recorrer se precisar.

“O investidor tem que conseguir responder tudo isso”, disse.

Oportunidades nos FIDCs

Entre os segmentos que mais chamam a atenção da executiva da Vórtx, os recebíveis ligados ao agronegócio e o mercado de duplicatas são destaques. Souza vê como duas das principais avenidas de crescimento da indústria de FIDCs nos próximos anos.

Ela também chama atenção para um movimento menos visível aos investidores dos grandes centros financeiros: a entrada de empresas familiares e companhias regionais no mercado de capitais.

Parte do crescimento recente do setor veio justamente da possibilidade de essas empresas acessarem financiamento sem depender exclusivamente dos bancos tradicionais.

“O crescimento do mercado de FIDC nos últimos anos é resultado direto de um acesso maior ao crédito que estava escondido no regionalismo”, afirmou.

Diante dos juros altos e da restrição dos bancos, pequenas e médias empresas encontram no mercado de capitais uma alternativa para obter recursos. E essa é uma evolução do mercado que veio para ficar.

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Fonte: Seu Dinheiro

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