Haddad adapta oração de São Francisco de Assis: “onde houver Bolsonaro, que levemos Lula”
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A missa de sétimo dia da ativista Amelinha Teles, realizada na Catedral da Sé, seguida por um ato em prol das mulheres na praça no centro de São Paulo compôs a agenda de candidatos de esquerda no estado em uma semana na qual a religião virou destaque na campanha eleitoral, relata a Folha de São Paulo.
O candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, afirmou que nem a mãe de Cristo escapou do bolsonarismo – em alusão à polêmica de que Flávio Bolsonaro (PL) apoiaria retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil – e adaptou a oração atribuída por católicos a São Francisco de Assis para pedir votos. “Onde houver Bolsonaro, que levemos Lula. Onde houver Tarcísio, que levemos Haddad”, disse.
No palco montado em frente à catedral, sob o sol forte das 11h deste domingo (27), discursaram também as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Tebet recitou, emocionada, a mesma oração pouco antes. “Jamais imaginei estar viva para ver esse país dividido pela fé”, afirmou. Ao defender o Estado laico, a candidata disse ser devota de Nossa Senhora Aparecida.
Tebet também classificou como censura a decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de determinar a remoção de postagens que associavam Flávio Bolsonaro à iniciativa de destituir Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira brasileira. Neste domingo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino derrubou a liminar de Mendonça.
Marina Silva, que não foi à missa, apresentou a dobradinha com Tebet como a união de “uma preta, uma branca, uma católica, uma evangélica” e pediu votos para as duas e para o presidente Lula (PT).
Fernando Haddad chamou de “nojento” o que, segundo ele, os adversários fazem com a fé das pessoas, e rebateu críticas de opositores às candidatas por não serem naturais de São Paulo. Sem citar nomes de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), candidatos ao Senado, afirmou que os aliados de Tarcísio fizeram ofensas em debates. “Olha quem está falando”, disse, referindo-se ao fato de o governador de São Paulo ser carioca.
Na catedral cheia, com capacidade de 8 mil lugares, Haddad sentou-se na primeira fileira ao lado da esposa, Ana Estela Haddad, junto a Simone Tebet. Também estavam presentes a ministra Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Eduardo Suplicy (PT), candidato a deputado federal, e Lu Alckmin, esposa do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
O celebrante da missa foi longamente aplaudido ao falar de Amelinha Teles, que lutou contra a ditadura militar, pelos direitos humanos e, principalmente, em defesa das mulheres.
Fonte: Brasil 247