BNDES nega linha de crédito para clubes em meio à MP das bet

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) negou que vá operar uma linha de crédito para socorrer clubes de futebol diante dos impactos previstos com a Medida Provisória que o governo Lula prepara para restringir ou proibir atividades de empresas de apostas on-line no Brasil.

O banco divulgou nota para negar que participe de discussões sobre financiamento a clubes, no momento em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma Medida Provisória para restringir ou proibir atividades de empresas de apostas on-line no Brasil.

“O BNDES não participou de qualquer discussão ou debate externo ou interno sobre a possibilidade de financiar clubes de futebol. O Banco possui vedação estatutária para realizar financiamento para clubes. Portanto, não procede a informação de que o BNDES irá operar um linha subsidiada para esse público”, informou a instituição.

A manifestação ocorre após clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro buscarem interlocução com o governo federal para discutir alternativas diante do impacto financeiro que uma eventual restrição às bets pode provocar no futebol. As empresas de apostas se tornaram patrocinadoras relevantes de clubes brasileiros, especialmente nos espaços máster das camisas.

De acordo com levantamento citado por O Globo, 13 dos 20 clubes da Série A do Brasileirão têm bets como patrocinadoras máster em 2026. O volume total aportado por essas empresas é estimado em cerca de R$ 1,1 bilhão, valor semelhante ao registrado na temporada anterior.

Apesar da presença das casas de apostas no futebol, o levantamento aponta que nenhum contrato desse tipo representa mais de 13% do orçamento de qualquer clube da Série A. Em média, os times da primeira divisão têm cerca de 7% de suas receitas provenientes de patrocínios de bets.

A preocupação dos clubes aumentou diante da expectativa de anúncio da MP pelo governo federal. Segundo auxiliares do presidente, a medida deve atingir tanto os cassinos on-line, como o chamado “jogo do tigrinho”, quanto as apostas de quota fixa, modalidade feita sobre eventos reais, como partidas de futebol.

Inicialmente, o governo discutia a possibilidade de proibir apenas os cassinos on-line. A decisão em análise, no entanto, avançou para uma restrição mais ampla, alcançando todos os tipos de apostas on-line.

Diante desse cenário, empresas de apostas notificaram extrajudicialmente clubes patrocinados sobre a possibilidade de rescisão imediata dos contratos. A movimentação busca resguardar juridicamente as operadoras caso a medida do governo inviabilize a continuidade das atividades no país.

Embora o governo também discuta ações de amparo aos clubes, a nota do BNDES afasta, ao menos por ora, a possibilidade de que o banco seja o operador de uma linha subsidiada para socorrer times endividados.

Fonte: Brasil 247

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