‘Lulinha paz e amor foi erro e é hora de ir para cima’, afirma José Guimarães sobre a estratégia eleitoral do PT
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães (PT), responsável pela articulação política do governo, afirmou que foi um erro a abordagem inicial da campanha do PT de focar apenas na defesa do legado do presidente Lula (PT) sem realizar um enfrentamento direto contra o seu principal adversário na disputa eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo o ministro, a tese do “Lulinha paz e amor” e de inserções partidárias mais amenas não se aplica à atual realidade política do país, sendo fundamental desconstruir a imagem de “bom moço” do parlamentar do PL, disse em entrevista ao jornal O Globo.
Durante a entrevista, o titular da articulação política avaliou o cenário eleitoral em que as pesquisas apontam um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. Guimarães justificou que o grupo político adversário conseguiu construir no ambiente digital a ideia de que o senador seria moderado e diferente de Jair Bolsonaro (PL). O ministro rebateu essa construção, definindo Flávio como “a própria cara do pai” e o classificou como o perfil mais radical do ponto de vista fiscal, da remoção de direitos sociais e da contenção do salário mínimo.
O ministro reconheceu que a campanha petista demorou a engrenar por conta da postura moderada dos programas eleitorais, mas afirmou que houve uma mudança de ritmo nas últimas semanas. Guimarães declarou que a nova orientação é de comparação direta e de combate às narrativas da oposição para interromper o crescimento do adversário. O articulador político projetou inclusive a possibilidade de a disputa ser resolvida no primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, embora tenha reconhecido que a reta final do pleito será bastante acirrada.
Sobre as diretrizes para um eventual novo mandato, Guimarães ressaltou a necessidade de realizar reformas profundas no ambiente institucional, na política e no Judiciário para fortalecer as garantias democráticas. Questionado sobre a ofensiva do governo contra as plataformas de apostas esportivas, as chamadas “bets”, o ministro explicou que o tema está em debate interno para definir se haverá um banimento total ou um endurecimento regulatório significativo. Guimarães argumentou que a proliferação das apostas tornou-se um problema social grave que afeta as famílias e rebateu acusações de que a atuação governamental ou os anúncios recentes em áreas como o SUS e o Bolsa Família tenham motivação eleitoreira.
Na avaliação dos embates envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e os pedidos da oposição pelo afastamento do ministro Alexandre de Moraes, José Guimarães defendeu que a atuação do magistrado foi determinante para combater tentativas de golpe e assegurar o resultado das urnas. O ministro da SRI também comentou sobre a pauta legislativa no Congresso Nacional, destacando a expectativa de votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da jornada 6×1 entre o primeiro e o segundo turno das eleições, sob a condução do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Por fim, o articulador político abordou a movimentação de partidos do Centrão — como PP, União Brasil e Republicanos — em relação a um eventual apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Guimarães classificou as articulações como especulação e defendeu que uma nova composição de frente ampla contra o retrocesso deve se refletir concretamente na ocupação de cargos do governo. Segundo o ministro, a aliança política exige um compromisso integral dos partidos envolvidos no projeto de gestão do país.
Fonte: Brasil 247