Campanha de Lula vê risco de adesão do Centrão a Flávio Bolsonaro no 2º turno

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que será difícil impedir uma aproximação formal de partidos do Centrão ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. Diante desse cenário, aliados do petista passaram a trabalhar para reduzir danos por meio de dissidências nos estados e do apoio de lideranças com influência sobre suas bancadas.

Segundo O Globo, a estratégia do entorno de Lula é manter canais abertos com partidos que ficaram neutros no primeiro turno e tentar preservar pontes com nomes como os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além de seus respectivos grupos políticos.

Integrantes da campanha petista reconhecem que parte do Centrão passou a demonstrar maior inclinação por Flávio Bolsonaro diante do crescimento do senador nas pesquisas em relação ao início da disputa. Também pesam, na avaliação de aliados, episódios recentes que teriam provocado desgaste entre Lula e dirigentes dessas legendas nos estados.

Um dos casos citados é o mal-estar com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP e candidato à reeleição. Durante visita ao Piauí no início do mês, Lula afirmou que não aceitava “vira-latas” ao defender seus aliados na disputa ao Senado. A declaração foi interpretada por interlocutores de Nogueira como uma indireta ao parlamentar.

“Quero que vocês saibam: eu não tenho outro candidato ao Senado. Os meus senadores são o Júlio César (PSD) e o Marcelo Castro (MDB). Para que a gente demonstre de uma vez por todas que não aceita vira-lata do nosso lado. Nós queremos gente do bem”, disse Lula em Teresina, ao lado de aliados da chapa petista no estado.

Apesar de ter sido ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, Ciro conduziu o PP à neutralidade no primeiro turno e se manteve distante da campanha de Flávio. O movimento também levou em conta a força eleitoral de Lula no Piauí, onde o petista obteve 76,8% dos votos no segundo turno de 2022. No estado, o governador Rafael Fonteles (PT) aparece com 55% das intenções de voto na disputa pela reeleição, segundo o Datafolha citado pelo Globo.

Aliados de Ciro afirmam que Lula teria rompido um “pacto de não agressão” com o PP no Piauí. O acordo, segundo participantes das negociações, teria sido um dos fatores que ajudaram a federação União Brasil-PP a manter neutralidade na primeira etapa da eleição. Oficialmente, o PT nega que tenha havido esse tipo de acerto.

A tarefa de tentar evitar uma adesão automática do Centrão a Flávio no segundo turno está concentrada em lideranças petistas que participaram das articulações pela neutralidade no primeiro turno. Entre elas estão Edinho Silva, presidente do PT e coordenador-geral da campanha de Lula, e o ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais.

No entorno de Lula, a avaliação é que o comportamento dessas siglas dependerá diretamente do resultado das urnas no primeiro turno. Caso Flávio saia fortalecido, cresce a expectativa de que partidos do Centrão se aproximem do senador. Um integrante do bloco ouvido pelo Globo resumiu o cenário afirmando que, “a preço de hoje”, essas legendas caminhariam com Flávio como “2 + 2 = 4”.

Além da competitividade nacional do candidato do PL, integrantes do Centrão também manifestam queixas sobre a atuação do PT nas disputas estaduais. Por isso, auxiliares do presidente têm acompanhado mais de perto as falas de Lula em agendas regionais, na tentativa de evitar novos ruídos com aliados potenciais.

Nesta quinta-feira, Lula deve ir a Maceió para participar de um comício a pedido de Renan Filho e Renan Calheiros, candidatos ao governo de Alagoas e ao Senado. Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, candidato ao Senado e adversário dos Calheiros, foi informado da agenda. Governistas sinalizaram que não haverá ataque direto a ele.

O presidente também deve viajar a Pernambuco após apelo de João Campos (PSB), candidato ao governo estadual. A presença de Lula no estado ocorre em meio a uma disputa acirrada com a governadora Raquel Lyra (PSD), que tem feito sinalizações de apoio ao petista.

As duas viagens representam uma mudança em relação à orientação inicial da campanha. No começo do período eleitoral, a avaliação era que Lula deveria evitar estados onde mais de um candidato o apoia, justamente para não criar atritos em palanques locais num cenário de disputa nacional apertada.

Apesar das dificuldades previstas para o segundo turno, aliados de Lula consideram que a neutralidade de partidos do Centrão no primeiro turno foi uma conquista relevante. A avaliação é que, na etapa inicial, o apoio formal das siglas teria impacto maior por envolver tempo de televisão e fundo eleitoral. No segundo turno, os dois candidatos contam com o mesmo tempo de propaganda.

No cálculo petista, a divisão do Centrão também ajudou a fragmentar parte da direita no Nordeste, região considerada estratégica para Lula. A federação União-PP deve se reunir em Brasília no dia 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno, para decidir se apoiará Flávio Bolsonaro ou se manterá neutralidade na segunda fase da disputa.

Em 2022, Lula ampliou sua frente no segundo turno com apoios como o de Simone Tebet (MDB), da ala lulista do MDB, do PDT e do Cidadania. Agora, o entorno do presidente tenta repetir parte dessa lógica, mas reconhece que o cenário com o Centrão é mais complexo.

No Republicanos, a aposta petista passa pela relação com Hugo Motta. Nas últimas semanas, o presidente da Câmara declarou apoio público à reeleição de Lula, participou de ato pró-petista na Paraíba, usou bonés vermelhos com o nome do presidente e posou para fotos fazendo o “L” com os dedos.

Lula também participou diretamente de articulações com dirigentes partidários no início de agosto. Segundo o Globo, o presidente se reuniu com Marcos Pereira, presidente do Republicanos, e com Hugo Motta na véspera do anúncio de neutralidade da sigla. O petista também esteve com Renata Abreu, presidente nacional do Podemos, outro partido que optou por não se alinhar formalmente no primeiro turno.

Relatos de participantes desses encontros indicam que Lula pediu aos dirigentes que, em caso de segundo turno, não anunciassem apoio a Flávio Bolsonaro antes de uma nova rodada de conversas. A composição de um eventual quarto governo Lula também entraria nas negociações com as legendas.

Diante da possibilidade de apoio formal de partidos do Centrão a Flávio, a campanha petista trabalha para obter adesões individuais de lideranças regionais. O PSD é um dos exemplos: sem uma sinalização nacional direta de Gilberto Kassab, a tendência é que o partido tenha posições divididas nos estados.

No Rio, no Amazonas e na Bahia, onde o PSD já apoia Lula nos palanques estaduais, a expectativa de aliados do presidente é de reforço na mobilização. Na Bahia, a legenda está na base da campanha pela reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Fonte: Brasil 247

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