Acessibilidade avança 13 pontos e chega a 93% das escolas de Goiás; mais de 9 em cada 10 têm algum recurso, aponta IBGE
Por Cilas Gontijo — Jornal Opção

Goiás tinha 481,3 mil pessoas com deficiência em 2022, o equivalente a 7% da população com 2 anos ou mais. Apesar de o percentual ficar abaixo da média brasileira, de 7,3%, os dados revelam diferenças expressivas quando o recorte avança para mercado de trabalho, renda, idade, sexo e cor ou raça.
Os números fazem parte do estudo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as unidades da Federação, Goiás aparece com a 9ª menor proporção de pessoas com deficiência. O levantamento utiliza principalmente informações do Censo Demográfico de 2022, além de bases sobre educação, municípios, participação eleitoral e serviço público.
Um dos contrastes mais significativos aparece no mercado de trabalho. Enquanto o nível de ocupação das pessoas sem deficiência chegava a 61,6% em Goiás, entre aquelas com deficiência era de apenas 35%. A distância entre os dois grupos, portanto, alcançava 26,6 pontos percentuais.
Mesmo diante da diferença, Goiás registrou o 6º maior nível de ocupação de pessoas com deficiência entre os estados e o Distrito Federal. O índice de 35% ficou acima da média brasileira, de 29%, e atrás apenas de Amapá (40,3%), Distrito Federal (39,4%), Roraima (37,7%), Amazonas (35,8%) e Mato Grosso (35,5%).
Diferença também aparece na renda
A desigualdade não se restringe ao acesso ao trabalho. Pessoas com deficiência tinham rendimento domiciliar per capita médio de R$ 1.432 em Goiás, enquanto entre aquelas sem deficiência o valor chegava a R$ 1.727.
Na comparação, a renda média das pessoas com deficiência correspondia a 83% da registrada entre os goianos sem deficiência. Ainda assim, o rendimento do grupo no Estado superava a média nacional das pessoas com deficiência, calculada em R$ 1.354 por pessoa.
Uma em cada cinco pessoas com 60 anos ou mais tem deficiência
A idade é outro fator que evidencia diferenças importantes. A proporção de pessoas com deficiência cresce consideravelmente nas faixas etárias mais elevadas.
Entre crianças de 2 a 9 anos, 1,7% tinham alguma deficiência em Goiás em 2022. O percentual era de 2,8% entre 10 e 17 anos; 3,6% dos 18 aos 29; 3,7% entre 30 e 39; e 8,2% na população de 40 a 59 anos.
Entre pessoas com 60 anos ou mais, porém, a proporção chegava a 20,9%. Isso significa que aproximadamente uma em cada cinco pessoas nessa faixa etária apresentava alguma deficiência. O percentual goiano também era ligeiramente superior ao brasileiro entre os idosos, de 20,3%.
Mulheres são maioria
As mulheres também aparecem em maior número entre a população com deficiência no Estado. Goiás contabilizava 271,1 mil mulheres e 210,2 mil homens com deficiência.
Proporcionalmente, 7,7% das mulheres goianas tinham alguma deficiência, contra 6,2% dos homens.
Quando analisados os dados por cor ou raça, o maior percentual aparece entre a população indígena: 10,9%. Na sequência estão pessoas pretas, com 8,3%; amarelas, com 7,9%; brancas, com 7,3%; e pardas, com 6,5%.
Em números absolutos, entretanto, a maior parcela era formada por pessoas pardas, que somavam 244,8 mil goianos com deficiência. Outros 180,5 mil se declaravam brancos e 53,5 mil, pretos.
Acessibilidade chega a 93% das escolas
Se trabalho e renda ainda revelam diferenças significativas, os indicadores educacionais mostram avanço na presença de recursos de acessibilidade.
Em seis anos, a parcela de escolas goianas com pelo menos um recurso de acessibilidade passou de 79,8%, em 2019, para 93,1%, em 2025. O crescimento foi de 13,2 pontos percentuais.
Com isso, mais de nove em cada dez escolas de Goiás possuem ao menos algum recurso voltado à acessibilidade. O resultado também supera o brasileiro: no País, o indicador passou de 56% para 78,5% no mesmo período.
Entre os recursos considerados estão rampas, pisos táteis, elevadores, corrimãos e guarda-corpos, portas com largura adequada para circulação e sistemas de sinalização sonora, tátil, visual ou luminosa.
A evolução ocorreu tanto na rede pública quanto na privada. Nas escolas públicas goianas, a presença de pelo menos um recurso de acessibilidade saltou de 76,5% em 2019 para 91,9% em 2025. Na rede particular, passou de 89,9% para 96,7%.
Goiás tem 2º maior percentual de escolas com profissionais de apoio
Outro indicador coloca Goiás entre os destaques nacionais. Em 2025, 49,4% das escolas do Estado tinham profissionais de apoio para estudantes com deficiência. São aproximadamente 2,3 mil dos 4.752 estabelecimentos de ensino existentes em território goiano.
O percentual é o 2º maior do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso, com 51,4%, e quase o dobro da média nacional, de 26,2%.
A presença desses profissionais, contudo, é bastante diferente entre as redes de ensino. Nas escolas públicas de Goiás, 62,3% contavam com profissionais de apoio. Na rede privada, eram apenas 10,2%.
O levantamento também mostra que 33,9% das escolas goianas possuíam salas de recursos multifuncionais destinadas ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), o equivalente a aproximadamente 1,6 mil unidades. Novamente, há diferença entre as redes: o recurso estava presente em 40,9% das escolas públicas e em 12,8% das particulares.
Os dados traçam, assim, um cenário de contrastes. De um lado, Goiás apresenta indicadores de acessibilidade escolar superiores à média nacional e está entre as unidades da Federação com maior nível de ocupação das pessoas com deficiência. De outro, dentro do próprio Estado permanece uma distância considerável entre pessoas com e sem deficiência, especialmente na participação no mercado de trabalho e no rendimento.
O estudo do IBGE reúne informações de diferentes bases para analisar condições de vida, educação, trabalho, mobilidade, participação social e acesso a direitos das pessoas com deficiência. Os dados buscam dimensionar as desigualdades enfrentadas por essa população e subsidiar o planejamento e a avaliação de políticas públicas de inclusão.
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Fonte: Jornal Opção