Paquistão acelera modernização militar com apoio da China e desafia vantagem estratégica da Índia

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – O Paquistão vem acelerando a modernização de suas Forças Armadas, com investimentos em novos sistemas de armas, desenvolvimento de uma indústria de defesa própria e aprofundamento da cooperação militar com países como China e Turquia. O movimento busca preservar o equilíbrio estratégico no Sul da Ásia e reduzir a distância tecnológica em relação à Índia.

A avaliação é do brigadeiro Sushil Tanwar, veterano das Forças Armadas indianas e pesquisador do Observer Research Foundation (ORF). Em sua análise, Tanwar sustenta que o processo ganhou intensidade ao longo da última década e representa um desafio crescente para o planejamento estratégico da Índia.

O fenômeno é particularmente importante pela dimensão da parceria entre Islamabad e Pequim. Dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) mostram que a China respondeu por 80% das importações paquistanesas de grandes sistemas de armamentos no período de 2021 a 2025.

No período anterior, de 2020 a 2024, a participação chinesa havia sido de 81%. As importações de armas do Paquistão cresceram 61% em comparação com 2015–2019.

China se torna principal fornecedora

A dependência do Paquistão em relação à indústria militar chinesa é um dos elementos centrais da transformação das forças armadas do país.

Pequim tornou-se de longe a principal fornecedora externa de equipamentos militares para Islamabad, numa parceria que envolve não apenas compras, mas também desenvolvimento conjunto, transferência tecnológica, produção local e crescente interoperabilidade.

Para o Paquistão, essa relação permite acesso a equipamentos sofisticados sem algumas das restrições políticas que podem acompanhar aquisições realizadas junto a fornecedores ocidentais.

Para a China, a cooperação consolida uma parceria estratégica com um país localizado numa região central para os interesses de Pequim e que mantém uma histórica rivalidade com a Índia.

Exército recebe novos tanques e artilharia

A modernização abrange praticamente todas as áreas das Forças Armadas paquistanesas.

No Exército, Islamabad vem atualizando sua frota de blindados e incorporando novos carros de combate, entre eles o VT-4, produzido pela China.

O país também investe na fabricação e no desenvolvimento de tanques dentro de sua própria estrutura industrial, incluindo o Haider, além de programas destinados à atualização dos veículos já existentes.

Outro eixo é a artilharia de longo alcance. O objetivo é aumentar a capacidade de atingir alvos a distâncias maiores e melhorar a integração entre sistemas de reconhecimento, comando e fogo.

Caças chineses mudam equilíbrio aéreo

A Força Aérea é uma das áreas em que a parceria com a China se tornou mais visível.

O Paquistão incorporou o JF-17 Thunder, desenvolvido conjuntamente pelos dois países, e posteriormente adquiriu o caça chinês J-10CE.

Islamabad também demonstra interesse em avançar para uma nova geração de aeronaves de combate, incluindo modelos furtivos chineses. Entre as possibilidades discutidas está a futura incorporação de uma aeronave da família J-31/FC-31.

Na avaliação apresentada pelo ORF, essa evolução precisa ser acompanhada de perto pela Índia porque reduz gradualmente algumas das vantagens convencionais historicamente associadas à superioridade material indiana.

Defesa aérea ganha prioridade

O Paquistão também vem construindo uma estrutura de defesa aérea mais sofisticada.

Entre os sistemas incorporados estão plataformas chinesas como o HQ-9 e o LY-80, destinadas a detectar, acompanhar e enfrentar aeronaves e outras ameaças aéreas.

A combinação entre novos caças, radares, mísseis superfície-ar e sistemas integrados de comando amplia a capacidade paquistanesa de proteger seu espaço aéreo e dificulta o planejamento de eventuais operações ofensivas contra seu território.

A lógica é tanto defensiva quanto dissuasória: elevar o custo de qualquer ação militar adversária.

Marinha também passa por transformação

A modernização não se limita às forças terrestres e aéreas.

O Paquistão também está ampliando sua capacidade naval com novos submarinos, fragatas e corvetas.

A China ocupa novamente posição central, especialmente no fornecimento de submarinos e grandes navios de superfície. A Turquia também participa desse processo, principalmente por meio da cooperação naval e do fornecimento de corvetas.

Islamabad ainda desenvolve e testa sistemas de mísseis que podem ser empregados a partir de plataformas marítimas.

O objetivo é reduzir a diferença em relação à Marinha indiana e ampliar a capacidade de dissuasão paquistanesa no Mar da Arábia e no Oceano Índico.

Drones, guerra eletrônica e espaço

Outra frente destacada por Tanwar é a incorporação de tecnologias emergentes.

O Paquistão investe em veículos aéreos não tripulados, sistemas de inteligência e vigilância, guerra eletrônica, cibersegurança e capacidades espaciais.

Drones assumiram importância crescente nos conflitos contemporâneos porque permitem reconhecimento, aquisição de alvos e ataques a custos significativamente menores do que os de muitas plataformas tradicionais.

A integração dessas tecnologias com inteligência artificial, satélites, sensores e sistemas de comunicação tende a modificar profundamente o campo de batalha.

Islamabad também procura desenvolver internamente parte dessas capacidades por meio de centros de pesquisa, universidades, empresas públicas e companhias privadas.

Arsenal nuclear permanece no centro da dissuasão

Por trás de toda a modernização convencional permanece o componente nuclear.

O Paquistão possui um arsenal estimado em cerca de 170 ogivas nucleares e continua desenvolvendo diferentes tipos de mísseis balísticos e de cruzeiro.

A capacidade nuclear constitui a base da estratégia de dissuasão paquistanesa diante de uma Índia que possui população, economia e forças convencionais significativamente maiores.

Por isso, o equilíbrio estratégico entre os dois países não pode ser analisado apenas pela comparação entre tanques, navios ou aviões.

Índia e Paquistão são potências nucleares, o que impõe limites muito diferentes à escalada de qualquer confronto militar.

Indústria de defesa busca maior autonomia

Outro elemento importante é o esforço para construir uma indústria nacional de defesa.

O Paquistão possui empresas públicas e privadas dedicadas à fabricação de armas leves, veículos blindados, aeronaves, munições, mísseis e sistemas eletrônicos.

A estratégia combina importação, produção sob licença, desenvolvimento conjunto e criação de tecnologias domésticas.

O modelo permite que o país diminua gradualmente a dependência da compra direta de equipamentos estrangeiros, embora a relação com a China permaneça decisiva.

Modernização preocupa estrategistas indianos

Do ponto de vista apresentado pelo ORF, o processo cria novos desafios para a Índia.

Nova Déli ainda dispõe de vantagens importantes em escala econômica, orçamento militar, tamanho das Forças Armadas e diversidade de fornecedores.

Mas a modernização paquistanesa pode reduzir algumas dessas diferenças qualitativas, sobretudo quando equipamentos chineses avançados são combinados com sistemas desenvolvidos ou produzidos dentro do próprio Paquistão.

A preocupação indiana também precisa ser compreendida dentro de uma dinâmica regional mais ampla.

A Índia considera simultaneamente suas disputas com o Paquistão e sua competição estratégica com a China. O SIPRI aponta justamente as percepções de ameaça relacionadas aos dois países como fatores relevantes para a elevada demanda indiana por armamentos.

Eixo China-Paquistão ganha peso militar

O resultado é uma transformação gradual do equilíbrio estratégico no Sul da Ásia.

A modernização paquistanesa não elimina a superioridade indiana em diversos indicadores convencionais, mas aumenta a capacidade de Islamabad de impor custos, responder a ataques e sustentar uma estratégia de dissuasão em múltiplos domínios.

Ao mesmo tempo, a participação chinesa deixa de ser apenas uma relação entre fornecedor e comprador.

Caças desenvolvidos conjuntamente, sistemas de defesa aérea, tanques, fragatas, submarinos e outras plataformas ampliam a integração tecnológica entre China e Paquistão.

É essa combinação entre modernização paquistanesa, capacidade nuclear e aprofundamento da cooperação militar com Pequim que, na avaliação de Sushil Tanwar, representa um dos principais desafios estratégicos que a Índia terá de administrar nos próximos anos.

Fonte: Brasil 247

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