Banco do Japão eleva juros para o maior nível em 31 anos e sinaliza ciclo contínuo contra a inflação
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O Banco do Japão (BoJ) anunciou nesta sexta-feira (18) o aumento de sua taxa básica de juros de 1% para 1,25%, atingindo o patamar mais elevado registrado nos últimos 31 anos. A medida, aprovada por 7 votos a 2, consolida a transição da autoridade monetária para uma nova fase voltada a evitar que a inflação ultrapasse a meta estabelecida, sinalizando a abertura de espaço para novas elevações nos custos de empréstimos, informa a Reuters.
O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, enfatizou que o foco do banco central mudou de impulsionar os preços para se proteger contra um eventual excesso inflacionário, tendo em vista que a inflação subjacente vem se aproximando do objetivo de 2%. Em sua declaração mais enfática até o momento sobre a determinação da instituição em combater as pressões de preços, o dirigente destacou que a postura visa garantir a estabilidade econômica de longo prazo.
“Se os riscos de a inflação subjacente ultrapassar 2% se concretizarem, isso poderá ter um impacto negativo na economia do Japão. É importante estabilizar a inflação subjacente em 2%. Nossa fase de política monetária mudou”, afirmou Ueda durante coletiva de imprensa.
O comandante da autoridade monetária ressaltou que não descarta nem aumentos consecutivos de juros nem altas mais intensas, de 50 pontos-base. Ele frisou que a intenção do órgão é agir preventivamente para conter riscos antes de ser forçado a adotar medidas drásticas que possam desestabilizar os mercados financeiros.
Apesar da mensagem rigorosa contra a inflação, o movimento não fortaleceu a moeda nacional. O iene registrou desvalorização frente a outras divisas, refletindo a atenção dos investidores em relação à dissidência interna na diretoria. Os membros Toichiro Asada e Ayano Sato votaram contra a elevação, argumentando que o Banco do Japão deveria manter a paciência antes de subir os custos de crédito.
Analistas de mercado observam que a reação cambial demonstra cautela no curto prazo. Para Vasu Menon, diretor-gerente de estratégia de investimentos do banco OCBC em Cingapura, a indicação geral aponta para uma conduta moderadamente rigorosa no médio prazo, embora o discurso não tenha provocado uma reprecificação imediata da moeda.
“A mensagem de Ueda parece ser que o Banco do Japão mantém em aberto a opção de novos aumentos nos juros e está acompanhando de perto a inflação para estabilizá-la. No entanto, a mensagem para o curto prazo não é rigorosa o suficiente para provocar uma reprecificação significativa do iene”, avaliou Menon.
A decisão do Banco do Japão acompanha movimentações recentes de bancos centrais da Europa e dos Estados Unidos, refletindo a atenção global aos riscos inflacionários impulsionados pela alta nos custos de energia em virtude do conflito no Irã, pelas políticas fiscais expansionistas e pelo aumento da demanda por investimentos em inteligência artificial.
Este foi o primeiro ajuste promovido pela instituição em três meses e aproxima a taxa dos níveis considerados neutros para a atividade econômica japonesa. O passo marca o gradual distanciamento do longo período de taxas ultrabaixas que caracterizou a economia do país e consolidou o iene como fonte global de financiamento barato.
Em comunicado oficial divulgado ao término da reunião de dois dias, o banco central esclareceu que, embora o cenário econômico e os preços estejam evoluindo conforme as projeções básicas, persiste o risco de a inflação subjacente se desviar da meta de 2%.
“A inflação no atacado permanece elevada e as pressões sobre os preços decorrentes do comércio entre empresas começaram a se refletir nos preços ao consumidor. A inflação subjacente vem se aproximando de 2%”, informou o banco no documento, detalhando que as empresas seguem repassando o custo do aumento salarial no momento em que as expectativas inflacionárias continuam em trajetória de alta.
Fonte: Brasil 247