Google fecha maior acordo de remoção de carbono de sua história em projeto no Brasil

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – O Google fechou o maior acordo de remoção de carbono de sua história para apoiar um projeto desenvolvido pela Terradot no Brasil. A iniciativa abrangerá mais de 200 mil hectares no Rio Grande do Sul e pretende combinar a redução das emissões de metano provenientes do cultivo de arroz com a retirada de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. As informações são da Reuters.

Segundo executivos ouvidos pela agência, trata-se do maior projeto de intemperismo acelerado de rochas já realizado no mundo. A tecnologia busca acelerar um processo que ocorre naturalmente, no qual determinados minerais presentes nas rochas reagem com o CO₂ e contribuem para sua retirada da atmosfera.

O projeto também será o primeiro dessa dimensão a combinar a redução de metano e a remoção de carbono, segundo Randy Spock, diretor de remoção de carbono do Google. A companhia espera que a experiência brasileira possa servir como modelo para projetos semelhantes em outras partes do mundo.

Um milhão de toneladas de carbono removido

A expectativa é que o projeto gere 1 milhão de toneladas métricas de créditos relacionados à redução das emissões de metano até 2030 e mais 1 milhão de toneladas em créditos de remoção de carbono até 2040.

Os dois tipos de crédito serão produzidos e verificados separadamente. Segundo a Reuters, somente a parcela relacionada à remoção de carbono será dez vezes maior que os projetos anteriores de intemperismo acelerado de rochas apoiados pela empresa.

O metano tem papel especialmente relevante no aquecimento global por exercer um efeito de aquecimento muito mais intenso no curto prazo do que o CO₂. Os arrozais irrigados respondem por entre 10% e 12% das emissões globais de metano, de acordo com uma avaliação realizada em 2021 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Para Spock, o enfrentamento das mudanças climáticas exige ações simultâneas contra diferentes gases de efeito estufa.

“Precisamos fazer as duas coisas. Não temos o luxo de concentrar todos os nossos recursos apenas no combate aos superpoluentes de curta duração, nem de dedicar todos os nossos recursos exclusivamente à expansão da remoção de carbono de longo prazo”, afirmou.

Tecnologia funciona acelerando processo natural

O intemperismo de rochas ocorre naturalmente ao longo de grandes períodos. Determinados minerais reagem com a água e o dióxido de carbono, retirando CO₂ da atmosfera e armazenando carbono em outras formas químicas.

O chamado intemperismo acelerado procura intensificar esse processo por meio da utilização de rochas trituradas e sua aplicação em grandes áreas agrícolas.

A iniciativa no Rio Grande do Sul busca aproveitar justamente a escala da produção de arroz para ampliar a utilização dessa tecnologia e, simultaneamente, adotar práticas capazes de reduzir as emissões de metano dos arrozais.

A combinação das duas estratégias poderá transformar o projeto brasileiro em uma experiência de referência para o mercado internacional de remoção de carbono.

Inteligência artificial aumenta pressão sobre big techs

O investimento ocorre em um momento em que Google e outras grandes empresas de tecnologia enfrentam pressão crescente para reduzir e compensar as emissões associadas à expansão de centros de dados.

A corrida pela inteligência artificial tem elevado significativamente a demanda por infraestrutura computacional e eletricidade, aumentando o desafio climático das big techs.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) considera que alguma forma de remoção de carbono será necessária para o cumprimento das metas climáticas globais. Críticos dessas tecnologias, porém, argumentam que a utilização de créditos de remoção não deve substituir a redução direta das emissões das empresas.

O Google já mantém uma relação com a Terradot. A companhia norte-americana tornou-se investidora da empresa em 2024, quando adquiriu uma participação no negócio.

Brasil poderá multiplicar escala do projeto

Google e Terradot avaliam que o modelo desenvolvido no Rio Grande do Sul poderá ser expandido futuramente para uma parcela muito maior da agricultura brasileira.

O Brasil possui aproximadamente 1,5 milhão de hectares de arrozais que poderiam, em tese, oferecer condições para a expansão da iniciativa.

O modelo também poderá ser reproduzido em grandes produtores mundiais de arroz, como Índia e Vietnã.

A Terradot planeja lançar projetos-piloto em diversos países ainda em 2026 e prevê iniciar uma expansão comercial mais ampla a partir de 2028.

Desafio é reduzir o custo

Google e Terradot não divulgaram quanto será pago pelos créditos gerados no novo acordo.

Uma operação anunciada em 2024, envolvendo a compra de 90 mil toneladas de remoção de carbono da Terradot, indicava um preço próximo de US$ 300 por tonelada.

O valor permanece muito acima dos US$ 100 por tonelada considerados por muitos desenvolvedores como um patamar necessário para permitir a expansão em larga escala desse mercado.

O CEO da Terradot, James Kanoff, afirmou que os créditos do projeto brasileiro terão custo inferior ao registrado nos acordos anteriores. Segundo ele, embora o preço ainda não tenha chegado aos US$ 100 por tonelada, o novo contrato representa “um grande passo nessa direção”.

Um dos obstáculos é justamente a comprovação de que o carbono foi efetivamente removido. Segundo a Terradot, os processos de verificação podem acrescentar mais de US$ 100 por tonelada ao custo do intemperismo acelerado de rochas.

A empresa pretende reduzir essa despesa permitindo que a remoção de carbono se acumule por períodos maiores antes da verificação independente.

Brasil no centro de um novo mercado climático

A escala da iniciativa coloca o Brasil em posição relevante no desenvolvimento de tecnologias destinadas à retirada de carbono da atmosfera.

Além da dimensão ambiental, projetos dessa natureza abrem uma discussão econômica sobre o valor dos créditos produzidos no país, os métodos internacionais de certificação e a parcela da riqueza gerada que permanece com agricultores, empresas e comunidades brasileiras.

Se a experiência gaúcha demonstrar viabilidade técnica e econômica, sua expansão para os 1,5 milhão de hectares de arrozais brasileiros poderá elevar significativamente a escala da remoção de carbono baseada na agricultura.

O maior acordo de remoção de carbono já firmado pelo Google passa, assim, a ter o Brasil como seu principal laboratório em escala comercial.

Fonte: Brasil 247

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