Polícia cumpre segunda fase de operação que investiga morte de menina transmitida no Discord
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – Uma operação policial deflagrada nesta terça-feira (15) cumpre mandados de internação e de busca e apreensão contra suspeitos de participar de uma rede que utilizaria plataformas digitais para coagir crianças e adolescentes e praticar crueldade contra animais. As medidas são executadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
A ação corresponde à segunda fase da Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao Ministério da Justiça.
A investigação começou após a morte de uma menina em julho. Segundo a polícia, a vítima tirou a própria vida depois de ser induzida por integrantes de um grupo em uma rede social. O caso teria sido transmitido pela internet e deu nome à operação.
Nesta nova etapa, os investigadores miram suspeitos de integrar uma rede que, de acordo com a apuração policial, utiliza ambientes digitais para coagir menores de idade e cometer atos de crueldade contra animais.
A primeira fase da Operação Lívia ocorreu no início de agosto e resultou na prisão de um adulto e na apreensão de outros cinco adolescentes. Entre eles estava um jovem de 14 anos apontado pela investigação como líder do grupo.
Discord tem transmissões suspensas no Brasil
O caso ocorre em meio ao aumento da pressão sobre o Discord, plataforma de comunicação popular entre jogadores de games online e adolescentes. A empresa vem sendo alvo de críticas e investigações relacionadas à moderação de conteúdo e aos mecanismos de verificação da idade dos usuários.
As transmissões ao vivo da plataforma estão suspensas no Brasil após a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) identificar o uso recorrente da ferramenta em episódios de violência, assédio e indução à automutilação e ao suicídio envolvendo crianças e adolescentes.
No início de setembro, representantes do Discord e do governo federal participaram de uma audiência de conciliação na Justiça Federal do Distrito Federal.
O encontro ocorreu após a Advocacia-Geral da União (AGU) ingressar com uma ação para obrigar a plataforma a adotar medidas efetivas de proteção a crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital, em conformidade com a legislação brasileira e, especialmente, com as regras previstas no ECA Digital.
A ação também pede que o Discord seja condenado ao pagamento de R$ 500 milhões por danos morais. O governo federal recorreu à Justiça após identificar, segundo as informações apresentadas no processo, a persistência de falhas nos mecanismos destinados à proteção dos usuários da plataforma.
Fonte: Brasil 247