Não basta garantir candidaturas: é preciso combater a violência contra as mulheres na política

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Por Francisco Vilas BoasBrasil 247

Precisamos sempre lembrar que a solução para problemas democráticos é mais democracia ainda. A baixa representação feminina na política e a violência nesse âmbito contra mulheres são problemas da nossa política e precisamos corrigir.

Precisamos sempre lembrar que a solução para problemas democráticos é mais democracia ainda. A baixa representação feminina na política e a violência nesse âmbito contra mulheres são problemas da nossa política e precisamos corrigir.

Destacam-se, entre as medidas, a previsão expressa de que recursos de campanha possam custear ações de prevenção, repressão e combate à violência no ambiente eleitoral e digital, além da contratação de segurança para a proteção de candidatas e candidatos.São avanços importantes, mas nenhuma resolução, sozinha, será capaz de transformar uma cultura marcada por desigualdades históricas.

A violência política de gênero não começa, necessariamente, com uma ameaça explícita. Ela geralmente aparece quando uma parlamentar é desqualificada por sua aparência, vida pessoal, comportamento ou quando sua competência é colocada sob suspeita por ser mulher. Também aparece quando a intimidação se torna tão frequente que disputar uma eleição passa a exigir dela uma coragem que não deveria ser necessária.

Esta situação é perversa. Quando uma candidata abandona a política, não temos uma pessoa que deixa, apenas, de ocupar um espaço individual; temos uma sociedade que perde uma voz, uma experiência e uma possibilidade de representação. Quando outras observam esse percurso e concluem que a política cobra um preço alto demais, eventualmente, a exclusão se reproduz. A violência, portanto, não atinge apenas suas vítimas: empobrece o debate público e reduz a pluralidade indispensável para a democracia.

É por isso que a baixa representação política delas configura uma responsabilidade de todos nós, enquanto sociedade. Os partidos precisam acolher as denúncias, oferecer estrutura e reagir prontamente. As autoridades devem investigar e punir condutas ilícitas, e os eleitores precisam compreender que crítica não é licença para humilhar, ameaçar ou perseguir.

É por isso que a baixa representação política delas configura uma responsabilidade de todos nós, enquanto sociedade. Os partidos precisam acolher as denúncias, oferecer estrutura e reagir prontamente. As autoridades devem investigar e punir condutas ilícitas, e os eleitores precisam compreender que crítica não é licença para humilhar, ameaçar ou perseguir.

Especialmente os homens precisam abandonar a posição confortável de omissão e encarar essa situação de frente.

Temos um compromisso adicional: enfrentar comportamentos discriminatórios e não silenciar diante dos ataques. Não se trata de falar por elas, mas de garantir que possam falar por si, com segurança e igualdade.

Garantir candidaturas e recursos é necessário. Porém, a soberania popular exige mais: condições reais para que elas possam disputar eleições, ocupar cargos e exercer o poder sem que a violência seja o preço dessa presença. Proteger as mulheres na política não é um favor. É defender a o estado democrático de direito.

Fonte: Brasil 247

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