Entorno de ministros compara conduta de Mendonça à de golpistas às vésperas da eleição
Por Maiara Marinho — Carta Capital
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O então relator do caso Master abriu fogo contra Alexandre de Moraes, responsável pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – principal algoz político do presidente Lula (PT)
Interlocutores de ministros do Supremo Tribunal Federal comparam a conduta do ministro André Mendonça com a daqueles que tentaram dar um golpe de Estado no País. A diferença, desta vez, é que a medida teve início dentro do Supremo e por iniciativa de um integrante da Corte.
Ao mandar a Polícia Federal investigar Alexandre de Moraes, ministro responsável pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – principal algoz político do presidente Lula (PT) – Mendonça contribuiu para acender a chama do golpismo às vésperas da eleição, segundo leitura de integrantes do Supremo.
A crise no STF impactou diretamente nas eleições, conforme mostram as pesquisas. O candidato Flávio Bolsonaro tem crescido nas intenções de voto, deixando o placar cada vez mais apertado. Lula, que se candidata à reeleição, vinha liderando as pesquisas sobretudo após a revelação de que o seu oponente recebeu valores milionários do ex-controlador do Banco Master.
Diante desta percepção, os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, ao lado de Moraes, deram início a uma guerra de ofícios em que pediam, sobretudo, a retirada do sigilo de uma petição que estava “escondida” no sistema do STF, segundo a Procuradoria-Geral da República, e de um aparelho celular de Daniel Vorcaro, dono do banco investigado, que teve cópia remetida a Mendonça a pedido do seu gabinete.
Tanto no processo, que trata sobre pagamentos feitos pelo banqueiro, quanto no celular há a suspeita de que há informações sobre pagamentos de Vorcaro ao instituto de André Mendonça. A ofensiva seria uma tentativa de colocar o magistrado no centro do escândalo a fim de “equilibrar” a batalha.
Indicado por Lula, Dino aparenta ser o ministro mais incomodado. Segundo fontes ouvidas sob reserva, há uma preocupação de como o magistrado, que senta na cadeira à direita de Mendonça, agirá. À esquerda, senta Moraes. O ministro, encurralado pelos dois, não tem a mesma “desenvoltura argumentativa” que os colegas, avaliam interlocutores do Supremo. A expectativa é que Mendonça seja “trucidado” pelas manifestações dos dois.
O cenário atual não era sequer previsto quando Mendonça assumiu a relatoria do Master, em fevereiro. Na ocasião, ao ser escolhido para relatar o caso devido à saída forçada de Dias Toffoli sob suspeitas de ter relações muito próximas com Vorcaro, os ministros da Corte tiveram a impressão de que as investigações estariam em mãos de alguém que não tinha interesses escusos que poderiam interferir no curso das investigações.
Exatamente sete meses depois, o presidente Edson Fachin retirou de Mendonça a relatoria do processo devido a acusações de que ele estaria atuando como delegado e não como juiz, determinando como a Polícia Federal deveria conduzir os trabalhos, dando prioridade seletiva a pedidos da corporação e controlando as ações dos agentes.
Com sessão marcada para os dias 15 e 23 de setembro para analisar as condutas de Moraes e de Mendonça, respectivamente, o Supremo vive a sua pior crise da história a menos de 20 dias do primeiro turno.
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Fonte: Carta Capital