Mendonça tem apoio de 37% dos brasileiros contra 16% de Moraes, diz Quaest
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – A disputa entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) chegou à opinião pública com uma vantagem significativa para Mendonça. Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) mostra que 37% dos entrevistados consideram que ele tem agido corretamente no embate entre os dois ministros, enquanto 16% apontam Moraes como aquele que está correto.
Segundo a coluna Pulso, de O Globo. O levantamento revela ainda que 20% dos entrevistados consideram que nenhum dos dois ministros tem agido corretamente. Outros 25% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
A diferença entre Mendonça e Moraes chega, portanto, a 21 pontos percentuais. O resultado indica uma vantagem expressiva do primeiro entre os eleitores que tomaram partido no confronto, mas também expõe o tamanho da parcela que não endossa nenhum dos lados ou ainda não formou opinião sobre a crise.
Crise no STF chega à opinião pública
Somados, os entrevistados que consideram incorreta a atuação dos dois ministros e aqueles que não souberam responder representam 45% da amostra. O dado acrescenta uma dimensão importante ao resultado: embora Mendonça tenha mais que o dobro do percentual atribuído a Moraes, uma parcela expressiva dos eleitores não identifica nenhum dos dois como o lado correto da disputa ou não consegue avaliar o conflito.
A pesquisa foi realizada durante o acirramento das divergências entre Mendonça e Moraes, em meio aos desdobramentos do caso Banco Master e às discussões dentro do Supremo sobre a conduta dos magistrados.
Caso Master amplia confronto entre ministros
O STF marcou para esta terça-feira (15) uma sessão para decidir se abre uma investigação contra Moraes depois que um relatório da Polícia Federal, tornado público por Mendonça, apontou diálogos entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro às vésperas da prisão do empresário, em 2025.
O movimento teve uma resposta dentro da própria Corte. Moraes apresentou um pedido para que o Supremo abra investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade na condução do caso envolvendo o Banco Master.
O presidente do STF, Edson Fachin, agendou para a próxima semana a deliberação sobre o pedido apresentado por Moraes. A sequência de movimentos aprofundou uma crise que deixou de ficar restrita às divergências jurídicas entre gabinetes e passou a produzir consequências políticas.
Disputa também repercute na corrida presidencial
O confronto entre os ministros também alcançou a disputa política nacional. De acordo com O Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem procurado se afastar de Moraes ao mesmo tempo em que critica publicamente a atuação de Mendonça no Supremo.
No campo da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou posição distinta. Ele vem defendendo o afastamento de Moraes da Corte e buscando uma aproximação com Mendonça.
A entrada da crise do STF na corrida presidencial amplia o significado político dos números revelados pela Quaest. Mendonça aparece em posição mais favorável do que Moraes entre os entrevistados, mas o levantamento também demonstra que a percepção pública sobre o conflito está longe de ser consensual.
Enquanto 37% atribuem a Mendonça a atuação correta e 16% fazem a mesma avaliação sobre Moraes, 20% rejeitam os dois lados. O contingente de 25% que não soube responder também evidencia o grau de incerteza de parte do eleitorado diante de uma disputa que envolve questões jurídicas complexas e sucessivos episódios relacionados ao caso Banco Master.
Quaest ouviu 2.004 pessoas
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de setembro, em municípios de todo o país.O levantamento foi contratado pelo jornal O Globo e pela TV Globo. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03607/2026.
Fonte: Brasil 247