MPE dá 10 dias para Celina Leão explicar sociedade com dono de empresa de ônibus
Por Giovanna Campos — Jornal Opção

O Ministério Público Eleitoral (MPE) deu prazo de 10 dias para a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), prestar esclarecimentos sobre uma sociedade mantida com o empresário Edmundo Pinheiro, proprietário da Urbi Mobilidade Urbana, uma das concessionárias do transporte público do Distrito Federal.
A notificação, assinada pelo promotor de Justiça Eleitoral Paulo Roberto Binicheski em 1º de setembro, integra o Procedimento Preparatório/Inquérito Civil nº 002/2026, que apura um possível conflito de interesses decorrente da relação societária.
Segundo o documento, informações divulgadas pela imprensa apontam que Celina teria adquirido, em setembro de 2025, participação em sociedade com Edmundo Pinheiro, em um negócio avaliado em aproximadamente R$ 500 mil. A participação atribuída à governadora seria de R$ 225 mil, com pagamento previsto em 30 parcelas de R$ 7,5 mil.
O MPE destaca que Pinheiro é proprietário da Urbi Mobilidade Urbana, empresa concessionária do sistema de transporte público coletivo do Distrito Federal e que mantém contrato de concessão com o governo local.
A promotoria também cita medidas recentes relacionadas ao transporte público. Em 7 de agosto de 2026, foi encaminhado à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em regime de urgência, projeto para abertura de crédito suplementar de R$ 508,5 milhões destinado à manutenção do equilíbrio financeiro do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal (STPC-DF).
Dois dias depois, em 13 de agosto, o deputado distrital Gabriel Magno protocolou uma notícia de fato pedindo a apuração da relação entre os fatos.
Outro ponto questionado pelo MPE é a declaração de bens apresentada por Celina à Justiça Eleitoral durante a candidatura ao pleito de 2026. Segundo a notificação, a governadora declarou R$ 15 mil referentes ao ativo relacionado à sociedade, valor correspondente a duas parcelas pagas em 2025.
A promotoria quer saber quais foram os termos da sociedade, incluindo valor total, forma de pagamento, percentual de participação de cada sócio e data de constituição do negócio.
Também questiona se Celina teve participação direta ou indireta em atos de gestão, decisões, fiscalização ou repasses de recursos relacionados à Urbi ou a outras concessionárias do transporte público. O MPE inclui nessa lista o crédito suplementar de R$ 508,5 milhões.
A governadora também deverá informar se adotou medidas para evitar eventual conflito de interesses, como impedimento em decisões, abstenção de atos decisórios ou delegação de competência.
O documento ressalta que a notificação não representa acusação ou conclusão sobre eventual irregularidade. O objetivo, segundo o MPE, é reunir informações e documentos para esclarecer os fatos.
Caso não apresente os esclarecimentos no prazo estabelecido, Celina poderá estar sujeita às medidas previstas na legislação, conforme alerta feito pelo próprio Ministério Público.
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Fonte: Jornal Opção