Eduardo Bolsonaro orientou como dinheiro para financiar Dark Horse seria usado nos EUA, diz PF

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – Mensagens incorporadas à investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse indicam que o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro deu orientações sobre a forma como recursos milionários destinados à produção deveriam ser enviados e administrados nos Estados Unidos. Em uma das comunicações, o ex-parlamentar sugeriu que fosse transferida a maior quantidade possível de dinheiro por meio do mecanismo que já vinha sendo utilizado.

As mensagens constam em documentos que tiveram o sigilo revogado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O material integra as apurações da Polícia Federal sobre a origem, a movimentação e o destino dos recursos destinados à cinebiografia do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).

Segundo a revista Veja, em uma mensagem datada de 21 de março do ano passado, o publicitário Thiago Miranda, apontado como ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, encaminhou a ele orientações atribuídas a Eduardo Bolsonaro sobre a administração dos recursos nos Estados Unidos.

“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo”, afirmou Eduardo, conforme o conteúdo reproduzido nos documentos.

As comunicações mencionam um aporte de US$ 25 milhões para a realização do filme. Eduardo também teria alertado que a utilização de empresas brasileiras com capacidade financeira inferior ao montante previsto poderia retardar as transferências.

“Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, escreveu.

Eduardo defendeu acelerar remessas aos EUA

Diante da possibilidade de demora, Eduardo apresentou uma alternativa para acelerar a movimentação dos recursos.

“Solução: enviar o máximo possível alinda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”, afirmou, segundo o material divulgado pela Veja. A palavra “alinda” aparece dessa forma no trecho reproduzido pela publicação.

Eduardo também indicou que o corretor Altieris Santana poderia fornecer informações adicionais em futuras reuniões presenciais.

Santana é diretor da Havengate Development Fund, fundo que recebeu dinheiro da Entre Investimentos destinado à cinebiografia de Jair Bolsonaro, segundo a investigação.

As mensagens indicam a participação de Eduardo nas discussões sobre a forma como os recursos destinados ao projeto seriam movimentados e administrados em território americano.

Investigação apura destino dos recursos

O filme Dark Horse é uma cinebiografia de Jair Bolsonaro e tornou-se um dos principais elementos de uma investigação sobre a arrecadação e a movimentação de recursos destinados ao projeto audiovisual.

Uma das suspeitas é de que parte dos US$ 24 milhões a US$ 25 milhões estimados para a obra possa ter sido desviada de sua finalidade declarada para custear Eduardo Bolsonaro no exterior.

As autoridades buscam reconstruir o percurso financeiro do dinheiro e identificar a origem dos recursos, os intermediários envolvidos, seus destinatários e a utilização efetivamente dada aos valores.

As orientações atribuídas a Eduardo acrescentam um elemento à investigação porque mostram que o ex-deputado discutia diretamente a logística para a transferência dos recursos aos Estados Unidos.

Delação aponta repasses ao fundo

O avanço das investigações sobre Dark Horse também levou o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, a fechar acordo de colaboração premiada.

Mineiro confirmou ter realizado repasses financeiros, divididos em cotas, para a Havengate Development Fund. Os valores teriam como finalidade declarada financiar os custos do filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

A investigação busca determinar se os recursos arrecadados seguiram efetivamente para a produção cinematográfica ou se parte deles teve outra destinação.

Flávio Bolsonaro também é investigado

O caso também envolve o senador Flávio Bolsonaro PL-RJ), candidato à Presidência da República. O parlamentar é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa relacionadas à arrecadação de valores para a obra audiovisual.

Fonte: Brasil 247

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