Caso Master: delator detalha envio de US$ 12,3 mi a fundo ligado a Dark Horse e contradiz Flávio Bolsonaro
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou em acordo de delação que transações feitas a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, somaram US$ 12,333 milhões em pagamentos ao fundo Havengate Development Fund, ligado ao financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a coluna da jornalista Andréia Sadi, no G1, os repasses ocorreram entre janeiro e setembro de 2025. Pela cotação de setembro daquele ano, o montante equivalia a R$ 62,8 milhões. O relato foi entregue à Procuradoria-Geral da República e integra o caso Master, que tramita sob segredo de Justiça.
A informação central da delação é que os valores teriam sido solicitados a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. A versão apresentada pelo delator também contraria uma afirmação feita pelo parlamentar, segundo a qual o último pagamento de Vorcaro teria ocorrido em maio de 2025. De acordo com o relato, houve uma transferência posterior, em setembro, no valor de US$ 1,666 milhão.
Delação aponta operação por cotas de fundo no exterior
Antonio Carlos declarou que foi procurado por Vorcaro entre o fim de 2024 e o início de 2025 para operacionalizar o envio de recursos ao exterior por meio da subscrição de cotas do Havengate Development Fund. A subscrição de cotas é um mecanismo pelo qual um fundo emite novas cotas para receber aportes de investidores e ampliar seu patrimônio.
“Entre o final de 2024 e início de 2025, Antonio Carlos foi contatado por Daniel Vorcaro, por WhatsApp, com a solicitação de envio de valores ao exterior por meio da subscrição de cotas desse fundo pela Entre Investimentos. Até esse momento, Antonio Carlos desconhecia o fundo em questão”, afirmou o empresário, segundo a reportagem.
Ainda conforme o relato, a solicitação inicial era mais ampla do que os pagamentos efetivamente realizados. “A solicitação inicial de Daniel Vorcaro foi para o envio de cerca de US$ 24 milhões, que seriam operacionalizados em mais de dez subscrições, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026”, disse o delator.
No entanto, segundo Antonio Carlos, apenas sete transações foram concluídas. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025.
Comprovantes e e-mails foram entregues às autoridades
O acordo de delação de Antonio Carlos foi firmado com a PGR em 8 de agosto e está sob análise do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. Cabe ao magistrado decidir se homologa ou não o acordo de colaboração.
O delator entregou comprovantes das transferências usadas para o pagamento das subscrições de cotas e e-mails trocados com Paulo Calixto, responsável pelo fundo Havengate. Calixto é advogado do ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
“No início de 2025, foi feito contato, por e-mail, com o gestor fiduciário do fundo, Paulo Calixto, para as formalizações necessárias, o que culminou na assinatura de uma ‘carta de compromisso’ em janeiro de 2025, pela Entre Investimentos, prevendo mais de dez subscrições de cotas do Havengate Development Fund”, afirmou o dono da Entre.
O empresário também relatou que, antes de cada nova subscrição, Vorcaro voltava a acioná-lo. “Um pouco antes de cada uma das demais subscrições previstas na ‘carta de compromisso’, Daniel Vorcaro entrava em contato com Antonio Carlos, por WhatsApp, para que ele formalizasse a subscrição e fizesse o pagamento respectivo”, disse.
PF investiga destino final dos recursos
Antonio Carlos afirmou às autoridades que não sabia qual seria o destino final dos valores enviados ao fundo Havengate. A Polícia Federal apura se todo o dinheiro foi efetivamente usado na produção do filme Dark Horse, como sustentam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte dos recursos foi direcionada a outras finalidades, incluindo eventual financiamento de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Outro ponto sob investigação envolve pagamentos no exterior feitos por meio da Entre Investiments and Arbitrage Ltd., empresa de Antonio Carlos sediada em Nassau, nas Bahamas. O delator afirmou que, nesses casos, Vorcaro enviava faturas que deveriam ser pagas, mas não detalhou quem eram os beneficiários.
Segundo a reportagem, uma das linhas investigativas da PF é verificar se recursos mantidos em paraísos fiscais, como as Bahamas, também foram enviados ao fundo Havengate ou a pessoas relacionadas a ele.
Defesa e produtora
Procurado pela reportagem, o advogado do delator, Marco Petrelluzzi, informou que não comentaria o caso por causa do segredo de Justiça.
A assessoria de Flávio Bolsonaro também foi questionada sobre os relatos da delação e respondeu que as informações sobre o tema vêm sendo prestadas pela produtora Go Up, responsável por Dark Horse.
A Go Up contratou uma auditoria particular que afirmou, em junho, que as contas do filme estavam regulares. No entanto, os documentos que comprovariam os gastos, como notas fiscais, não foram tornados públicos. De acordo com essa auditoria particular, Dark Horse custou R$ 75 milhões e foi financiado pelo fundo Havengate.
Fonte: Brasil 247