Wilder chega à reta final isolado até entre bolsonaristas, que relutam em apoiá-lo
Por Redação — Jornal Opção

A dificuldade de Wilder Morais (PL) em reunir o bolsonarismo em torno de sua candidatura ao governo de Goiás tem se tornado cada vez mais evidente na reta final da campanha. Além de aparecer na terceira colocação em diferentes levantamentos eleitorais, o senador tem enfrentado resistências dentro da própria legenda, inclusive entre figuras de projeção nacional ligadas a Jair Bolsonaro.
O caso mais recente envolveu Eduardo Bolsonaro. Na quinta-feira, 1º de outubro, o ex-deputado divulgou uma relação de candidatos que apoia em Goiás, mas não incluiu Wilder entre os nomes. Situação semelhante havia ocorrido cerca de duas semanas antes com Nikolas Ferreira (PL). Ao pedir votos para candidatos goianos, o deputado mineiro também deixou de mencionar o postulante do partido ao Palácio das Esmeraldas.
A manifestação de Nikolas em favor de Wilder só veio posteriormente, após o senador procurar o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Mesmo assim, o apoio teve menor exposição: em vez de aparecer no perfil principal do parlamentar, a publicação foi feita em uma conta paralela nas redes sociais.
Dentro do PL, a resistência é atribuída por integrantes da sigla, entre outros fatores, às desconfianças em relação ao posicionamento político de Wilder. O senador é visto por parte desse grupo como alguém que oscila em votações consideradas importantes e que não reproduz o mesmo nível de enfrentamento ao governo Lula adotado pela ala mais identificada com o bolsonarismo. No Senado, pouco mais da metade de seus votos acompanhou orientações do governo petista, inclusive em ocasiões nas quais a posição contrariava a orientação do próprio PL.
Um dos episódios frequentemente lembrados nesse contexto ocorreu durante a análise da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), em abril. Wilder não participou da sessão em que o nome foi rejeitado. Naquele período, reportagens também apontaram que articuladores do PT incluíam o senador goiano entre os parlamentares considerados “indecisos” em relação à indicação, aumentando as dúvidas de setores bolsonaristas sobre qual seria sua posição em uma votação tratada como prioritária pela oposição.
As divergências também chegaram à relação de Wilder com Gustavo Gayer (PL), candidato ao Senado. Em fevereiro, Gayer revelou publicamente que tentou convencer o correligionário a abandonar a disputa pelo governo para abrir caminho a uma composição entre o PL e o grupo político de Daniel Vilela (MDB). O episódio provocou um embate entre os dois depois que Wilder afirmou ter recebido de Jair Bolsonaro o aval para continuar na corrida pelo Palácio das Esmeraldas.
As dificuldades internas, entretanto, não estão concentradas apenas nas lideranças nacionais da direita. A candidatura de Wilder também perdeu sustentação entre prefeitos que chegaram ao poder pelo próprio PL nas eleições municipais de 2024.
O rompimento de maior repercussão ocorreu em Anápolis. Eleito prefeito pelo PL, Márcio Corrêa decidiu apoiar a reeleição de Daniel Vilela. Wilder criticou publicamente a decisão e recebeu uma resposta igualmente dura. Corrêa passou a definir o senador como um político “sabor Cachoeira”, “sabor Messias”, “sabor rabo preso” e “sabor preguiça”.
A divisão entre os prefeitos dimensiona o problema enfrentado pelo diretório estadual. Dos 26 gestores municipais eleitos pelo PL em 2024, metade deixou de seguir a orientação partidária e aderiu à candidatura de Daniel. Três permaneceram filiados ao partido mesmo apoiando o emedebista, enquanto outros dez trocaram a legenda por siglas integrantes da base governista, entre elas União Brasil e MDB.
A sucessão de episódios ajuda a explicar por que, mesmo concorrendo ao governo pela legenda de Jair Bolsonaro, Wilder encontra dificuldades para transformar essa vinculação partidária em apoio político uniforme. A resistência de lideranças nacionais e a perda de aliados no próprio estado revelam uma candidatura que chega à reta final tendo de administrar não apenas a disputa contra seus adversários, mas também divergências dentro do campo político ao qual pertence.
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Fonte: Jornal Opção